Resumo objetivo:
Um estudo do Ipea divulgado em 2025 aponta que, nos últimos três anos (2021-2024), o Brasil registrou um avanço recorde em indicadores socioeconômicos, com a renda média real crescendo mais de 25% e uma significativa redução das desigualdades. Este progresso foi impulsionado pelo aquecimento do mercado de trabalho e pela expansão de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, cujo valor médio beneficiou 20,1 milhões de pessoas. O artigo destaca especificamente o programa Pé-de-Meia, uma política educacional que combate a evasão escolar no ensino médio através de incentivos financeiros para estudantes de baixa renda.
Principais tópicos abordados:
1. Avanço socioeconômico recente (2021-2024) em renda, emprego e redução da pobreza e desigualdade.
2. Papel central dos programas governamentais de transferência de renda e inclusão social.
3. Destaque para o programa Pé-de-Meia como exemplo de política pública específica para reduzir a evasão escolar no ensino médio.
Em três anos, Brasil tem avanço recorde em renda, emprego e redução da pobreza
Programas do governo do Brasil na transferência de renda, incentivo educacional e formalização do trabalho impulsionam avanço dos indicadores
O estudo Pobreza e desigualdade no Brasil no curto e no longo prazo, assinado pelos pesquisadores Pedro Herculano Souza e Marcos Dantas Hecksher e divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 25 de novembro de 2025, mostra que, nos últimos 30 anos, a renda domiciliar per capita dos brasileiros cresceu cerca de 70%, a desigualdade caiu quase 18% e a extrema pobreza passou de 25% para menos de 5% da população.
Esse cenário, no entanto, não ocorreu de forma linear. Entre 2003 e 2014, foram registrados os maiores índices de crescimento socioeconômico; em seguida, houve um período de crise e recessão, entre 2014 e 2021, e, a partir de 2021 até 2024, uma retomada do desenvolvimento.
Neste último período, a renda média real cresceu mais de 25%, e houve uma significativa redução das desigualdades sociais, impulsionada pelo aquecimento do mercado de trabalho — com mais empregos e melhores salários — e pela expansão de programas sociais.
Segundo a Pnad Contínua, o valor dos rendimentos transferidos aos brasileiros por meio de programas como Bolsa Família cresceu 72,7% entre 2019 e 2024. A renda média advinda desses programas chegou a R$ 836 em 2024, o maior valor desde 2012, amenizando a situação de 20,1 milhões de brasileiros.O valor é 2,2% superior aos R$ 818 de 2023 e 72% maior que a média de R$ 484 registrada em 2019.O Brasil vive um processo de reconstrução e retomada do desenvolvimento econômico com políticas de inclusão social.
Algumas dessas políticas são focadas em públicos específicos. É o caso do programa Pé-de-Meia, que beneficia mais de 4 milhões de jovens brasileiros por ano e tem como objetivo combater a evasão escolar no ensino médio por meio de incentivos financeiros que ajudam os estudantes a permanecerem na escola, concluírem os estudos e ingressarem no ensino superior. Considerando todas as parcelas e depósitos anuais, os valores podem chegar a R$ 9.200 por aluno.
Lançado pelo Ministério da Educação (MEC) em janeiro de 2024, o Pé-de-Meia funciona como uma poupança voltada aos jovens do ensino médio, com o intuito de combater a evasão escolar nessa etapa. Para evitar que os estudantes desistam de estudar, o Governo do Brasil investe R$ 12 bilhões por ano no programa, beneficiando milhões de jovens de famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico).
O Pé-de-Meia prevê apoio financeiro, estímulo pedagógico e monitoramento educacional. Para receber o benefício, jovens entre 14 e 24 anos, no caso do ensino médio regular, e entre 19 e 24 anos, no caso da Educação de Jovens e Adultos (EJA), precisam estar matriculados, terem CPF regular, pertencer a famílias inscritas no Cadastro Único com renda per capita de até meio salário mínimo e manter frequência escolar acima de 80%.
O programa também oferece formação continuada a redes de ensino e gestores escolares, com ações de atendimento à comunidade escolar de forma adaptada às realidades locais, além do aprimoramento dos sistemas de monitoramento da frequência escolar e de ações articuladas entre diferentes níveis de governo no âmbito da Rede Nacional de Implementação do Programa Pé-de-Meia (Renapem), que oferece apoio técnico e metodológico às ações desenvolvidas.
Outra ação do MEC de incentivo à permanência e à conclusão, mas, dessa vez, para a educação superior, é o Pé-de-Meia Licenciaturas, voltado a estudantes que desejam se tornar professores. O programa oferece uma bolsa mensal de R$ 1.050 para estudantes com média acima de 650 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que escolherem cursos presenciais de licenciatura pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (Prouni) ou Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Desse valor, R$ 700 são de uso imediato e R$ 350 depositados em poupança, valores a serem liberados quando o futuro professor se formar e ingressar na rede pública em até cinco anos.
Em 2025, o programa impulsionou o crescimento de 60% no número de estudantes com nota igual ou superior a 650 pontos no Enem, matriculados em cursos presenciais de licenciatura: de 5.615 em 2024 para 9.113 em 2025. A iniciativa integra o programa Mais Professores para o Brasil, que busca fortalecer a carreira docente em ações articuladas entre MEC, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e bancos públicos.
Dinheiro no bolso
Em paralelo às políticas sociais, a opção por uma política econômica voltada à redução das históricas desigualdades sociais tem impulsionado a melhora na renda e ampliado a criação de empregos formais. De 2023 a 2025, foram criados 4,9 milhões de empregos com carteira assinada.
Dados divulgados em 28 de novembro de 2025 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), relativos à Pnad Contínua, mostram taxa de desemprego de 5,4% no trimestre encerrado em outubro — abaixo dos 5,6% do trimestre anterior e dos 6,2% registrados no mesmo período de 2014.
A população desocupada é de 5,9 milhões de pessoas no trimestre de agosto a outubro de 2025, o menor contingente da série histórica iniciada em 2012, diante de um total de 102,6 milhões de trabalhadores ocupados. O recuo foi de 3,4% em relação ao trimestre anterior (menos 207 mil pessoas) e de 11,8% na comparação anual (menos 788 mil).
A formalização também aumentou no trimestre encerrado em dezembro de 2025: 39,2 milhões de brasileiros têm carteira assinada.
Dados do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que, entre janeiro e outubro de 2025, foram criados 1,8 milhão de empregos formais nas 27 unidades federativas, com destaque para serviços (961 mil vagas), indústria (305,6 mil), comércio (218 mil), construção (214,7 mil) e agropecuária (101,1 mil).
Somados os empregos criados de janeiro de 2023 a outubro de 2025 são mais de 4 milhões e 400 mil.
O cenário positivo também se refletiu nos salários. Segundo o boletim Emprego em Pauta, do Dieese, divulgado em 13 de junho de 2025, os trabalhadores recebem em média R$ 3.225 — alta de 3,7% em relação a 2023 e de 10,1% em relação a 2012.
Esses resultados estão diretamente ligados aos esforços do Governo do Brasil, que retomou, atualizou e criou políticas voltadas aos trabalhadores
Também tem impacto relevante no orçamento dos trabalhadores a recente isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Prato na mesa
Os avanços em emprego e renda vêm acompanhados de conquistas expressivas no combate à pobreza e à extrema pobreza, definidas como condições de quem vive com menos de US$ 6,85/dia (R$ 694/mês) e US$ 2,15/dia (R$ 218/mês), respectivamente.
A Síntese dos Indicadores Sociais (SIS), divulgada em 3 de dezembro pelo IBGE, mostrou que, entre 2023 e 2024, 8,6 milhões de brasileiros saíram da pobreza e 1,9 milhão da extrema pobreza.
Esta é a terceira queda consecutiva do índice: em 2022, 66 milhões (31,6%) viviam em pobreza; em 2023, 57 milhões (27,3%); e, em 2024, 49 milhões (23,1%), o menor nível desde 2012.
A extrema pobreza também recuou significativamente: de 9,3 milhões em 2023 para 7,4 milhões em 2024, redução de 1,9 milhão — queda de 4,4% para 3,5% da população. O Nordeste foi a região com melhor desempenho, com recuo de 7,8 pontos percentuais.
Segundo o IBGE, sem a retomada dos programas sociais, especialmente o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), a extrema pobreza seria quase três vezes maior, chegando a 10% da população; e a pobreza alcançaria 28,7%.
A insegurança alimentar grave também caiu, de 6,6% em 2021–2023 para 3,4% em 2022–2024 — o equivalente a 7 milhões de pessoas que deixaram a fome. A melhora é resultado direto da expansão dos programas de transferência de renda e do aquecimento do mercado de trabalho.
Hora da virada
Entre janeiro e outubro de 2024, 2 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família devido à melhora de renda. O mesmo ocorreu com 70% dos jovens das famílias que ingressaram no programa em 2014, indicando ruptura geracional da pobreza.
Dados da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (Senarc/MDS), divulgados em 30 de outubro, mostram que 1,3 milhão de pessoas ultrapassou o limite de renda do programa via emprego formal, microempreendedorismo ou aumento da renda familiar. Outras 24.763 famílias solicitaram desligamento voluntário e 726.799 concluíram o período da Regra de Proteção.
Assim, o número de famílias atendidas pelo Bolsa Família caiu para 18,9 milhões — o menor desde o início do atual governo.
Mas a principal conquista é a interrupção do ciclo da pobreza. Segundo o estudo “Filhos do Bolsa Família: uma análise da última década do programa”, apresentado pelo MDS e pela FGV em 5 de dezembro, 70% dos adolescentes de lares beneficiados entre 2014 e 2025 já deixaram o programa.
A maioria (72%) tem entre 15 e 17 anos; outros 68%, entre 11 e 14 anos. No primeiro grupo, mais da metade (52%) também deixou o CadÚnico, e 28,4% conseguiram emprego formal.
Considerando todas as idades, entre os beneficiados desde 2014, 60,68% deixaram de depender da política social até hoje — um indicador da eficácia do programa, referência internacional, e uma demonstração de que o Bolsa Família cumpre seu objetivo final: deixar de ser necessário.
(*) Este conteúdo foi desenvolvido em parceria com o Governo do Brasil