Resumo objetivo:
O governo Lula anunciou medidas para aumentar o controle sobre as distribuidoras de combustíveis, visando coibir o que classifica como "especulação" e "abuso" nos preços. As principais empresas do setor foram convocadas com urgência a Brasília devido à previsão de punições por estoques excessivos e maior acesso governamental a dados internos de precificação. Há preocupação no setor privado com um possível controle excessivo, enquanto representantes dos postos alegam que os reajustes recentes partiram das distribuidoras, não dos revendedores.
Principais tópicos abordados:
1. Anúncio de medidas governamentais para controle de preços e estoques no setor de combustíveis.
2. Reação das empresas do setor e reunião emergencial em Brasília.
3. Preocupação do setor privado com intervenção estatal e fiscalização.
4. Debate sobre a origem dos reajustes de preços (distribuidoras vs. postos).
O anúncio do governo Lula de que pretende apertar o controle sobre as empresas de distribuição de combustÃveis fez os executivos das principais empresas do setor irem com urgência a BrasÃlia nesta quinta-feira (12).
Os CEOs de Vibra, Ipiranga e RaÃzen (Shell) voaram à capital à s pressas, convocados para reunião no Ministério de Minas e Energia. O dono da Cosan, Rubens Ometto, também participa do encontro.
A apreensão do setor privado ocorre em razão do decreto anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para coibir o que o governo vem chamando de "especulação" e "abuso" nos preços nas bombas.
Entre as medidas anunciadas, há a previsão de que a ANP (Agência Nacional do Petróleo) baixe resolução com punições a empresas que mantenham estoques acima do que o governo considera justificável, além de acesso a dados internos das companhias sobre a prática de preços, como as margens praticadas.
A calibragem do acesso a essas informações é o que preocupa, uma vez que pode dar abertura a um controle excessivo sobre a atividade econômica.
Do lado do governo, além do ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) participam da reunião Geraldo Alckmin (Indústria e Comércio) e o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, que deve assumir o lugar de Fernando Haddad a partir da semana que vem.
A previsão de agentes do mercado é que a Petrobras deverá reajustar os valores praticados na etapa anterior da cadeia, ainda nas refinarias, nos próximos dias, o que poderá colocar as empresas de distribuição na berlinda.
O governo já identificou reajustes preventivos de preços em postos de gasolina. José Alberto Paiva Gouveia, presidente do Sincopetro (sindicato dos revendedores), diz que impor aos postos a fixação de preços é uma medida sem sentido, pois ignora os reajustes praticados pelas distribuidoras.
"A ANP [agência reguladora] e o governo não vão fiscalizar as distribuidoras ou as importadoras", afirma.
O representante dos postos diz que a desoneração de PIS e Cofins gera uma redução de R$ 0,32 por litro do óleo diesel comprado nas distribuidoras âo governo fala em um impacto maior, ao redor de R$ 0,64.
Segundo ele, os aumentos recentes nos postos decorrem de reajustes praticados pelas grandes distribuidoras privadas, RaÃzen e Vibra, que subiram os preços do litro do combustÃvel em R$ 0,62 e R$ 0,59, de acordo com o Sincopetro.
"Eu tenho que dar explicação para o consumidor, mas eu estou pagando mais caro."