O governo de Minas Gerais, comandado por Romeu Zema, está sendo questionado por veicular outdoors que atribuem ao estado a entrega de postos de saúde que, segundo autoridades municipais, foram construídos com recursos municipais ou compartilhados. Vereadores e uma deputada estadual denunciam a apropriação indevida de obras em cidades como Nova Lima, Contagem e Itaúna, classificando a prática como tentativa de capitalização política em período eleitoral. Os críticos apontam falta de transparência do governo estadual e a transformação de obras com financiamento compartilhado em peças de autopromoção.
Principais tópicos abordados:
1. Questionamento sobre a veracidade de campanhas publicitárias do governo estadual.
2. Denúncias de apropriação indevida de obras municipais ou compartilhadas para promoção política.
3. Críticas à falta de transparência e ao contexto de proximidade das eleições.
Peças publicitárias instaladas pelo governo de Minas Gerais, sob comando de Romeu Zema (Novo) e Matheus Simões (PSD), em diferentes cidades do estado têm gerado questionamentos sobre a veracidade das informações divulgadas. Outdoors que atribuem ao governo estadual a entrega de postos de saúde vêm sendo contestados por autoridades locais, que afirmam que parte dessas obras foi realizada com recursos municipais ou compartilhados com outras esferas de governo.
Em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), um outdoor afirmava que o governo do estado teria entregue quatro postos de saúde na região. A publicidade provocou indignação na cidade e motivou uma denúncia pública do vereador Pedro Dornas (Avante), que afirma que as unidades foram viabilizadas com recursos da prefeitura.
“Agora eles querem fazer bonito com o chapéu dos outros. O que é obrigação do governo do estado não pode virar peça de propaganda”, criticou o parlamentar nas redes sociais.
Dornas afirma acompanhar de perto a situação da saúde no município e garante que as unidades mencionadas na propaganda não foram construídas com recursos do governo estadual.
“Eu acompanho tudo da saúde na nossa cidade. Eu posso te garantir: o que foi entregue aqui foi feito com recurso da prefeitura, com o dinheiro do povo da nossa cidade”, afirmou.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o vereador classificou a publicidade como uma tentativa de capitalizar politicamente obras municipais, sobretudo em um contexto de proximidade eleitoral.
“Vai chegando a época de eleição, todo mundo quer ser pai do que é bonito, do que deu certo. Mas aqui em Nova Lima o que foi feito foi com dinheiro do município. Eles devem estar achando que a gente é bobo”, disse. Segundo ele, após a repercussão da denúncia, o outdoor teria sido retirado.
Dados conflitantes
Dados do Portal da Transparência indicam que o governo estadual retomou obras de 78 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e que, desde 2019, 375 unidades estão em obras ou já foram concluídas em Minas Gerais, com investimento superior a R$ 600 milhões. Ainda assim, autoridades questionam a forma como parte dessas obras tem sido divulgada pelo Executivo estadual.
Situação semelhante foi relatada em Contagem. Um outdoor instalado na cidade informa que o governo Zema teria entregado três postos de saúde. Procurada pelo Brasil de Fato MG, a prefeitura informou que, entre 2021 e 2026, apenas a Unidade Básica de Saúde Vila São Paulo recebeu financiamento do antigo PAC Arrudas, conjunto de obras viabilizado por recursos dos governos federal e estadual, além da própria prefeitura.
Outro caso citado por parlamentares ocorreu em Itaúna. Segundo a deputada estadual Ana Paula Siqueira (Rede), um outdoor instalado na cidade anunciava obras que, na realidade, teriam sido executadas em Pará de Minas. A peça acabou sendo retirada após questionamentos.
“A denúncia é necessária e é uma das muitas que temos recebido. Zema tem o péssimo hábito de fazer festa com chapéu dos outros”, afirmou a deputada, em entrevista ao Brasil de Fato MG.
Para a parlamentar, os episódios revelam uma tentativa de transformar obras que contam com recursos compartilhados, ou que sequer foram executadas pelo estado, em peças de autopromoção política.
Ana Paula Siqueira também criticou a falta de transparência do governo estadual na divulgação de dados e na prestação de contas das ações realizadas ao longo dos dois mandatos de Romeu Zema.
Segundo ela, a Assembleia Legislativa segue acompanhando os gastos públicos e as campanhas institucionais do Executivo.
“Continuamos fiscalizando aquilo que temos acesso, porque a transparência também não é um ponto forte desse governo. Ainda assim, a população está cada vez mais atenta e sabe identificar quando uma obra não foi realizada com recursos exclusivos do estado”, avaliou.
Para a deputada, a disputa eleitoral que se aproxima também tende a ampliar o debate público sobre os resultados da atual gestão estadual.
“A população mineira acompanha de perto o que de fato chegou às cidades. Esse balanço será feito nas urnas, quando o povo terá a oportunidade de avaliar o legado desse governo e indicar os rumos que deseja para Minas Gerais”, concluiu.
Outro lado
Procurado pelo Brasil de Fato MG, o governo de Minas não retornou nossos questionamentos até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.