Resumo objetivo:
O artigo é uma coluna de opinião que defende o ministro Alexandre de Moraes por suas ações em defesa da democracia e pela prisão de Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo que critica seus opositores, caracterizados como fascistas e misóginos. A autora também faz uma reflexão pessoal e humorada sobre fantasiar com figuras públicas, transitando para uma apreciação de narrativas audiovisuais centradas em relacionamentos homoafetivos, que ela valoriza por evitarem clichês tóxicos da heteronormatividade.
Principais tópicos abordados:
1. Defesa política do ministro Alexandre de Moraes e crítica aos seus opositores.
2. Apreciação de filmes e séries com narrativas homoafetivas e a análise de sua recepção pelo público feminino.
3. Crítica ao machismo e à misoginia, com afirmação da liberdade de pensamento e fantasia feminina.
Há dias minhas redes sociais estão lotadas de fascistas querendo saber se vou ou não falar sobre o Xandão. Quase sempre são misóginos, perversos, religiosos em defesa da famÃlia ou bots. Desse grupo, os bots me parecem, até por não postarem nada e não terem sequer um nome, os menos iletrados.
Fiz para este jornal uma crônica humorada na qual congratulava o ministro Alexandre de Moraes por levantar a libido desse paÃs. Ele não só defendeu a nossa democracia com meticulosa devoção como ainda meteu na cadeia o fascista, golpista, falsificador de documentos, incitador de crime e grande facilitador de mortes na Covid, Jair Bolsonaro. Não me arrependo. Só me arrependo de ter dito que emprestaria meu Visa pra ele durante a imposição da Lei Magnitsky. Coitada de mim, amigo de banqueiro corrupto não precisa disso.
Quem, antes da baixaria que veio à tona com a prisão de Daniel Vorcaro (cometer fraudes bilionárias ou gostar tanto de Coldplay? O que é pior?), não sentiu as biquetas dos seios intumescerem a cada canetada de Xandão não me parece merecedor do Brasil no qual vivemos hoje com Lula na presidência: redução da fome e da pobreza, menor taxa de desemprego da série histórica (desde 2012), controle da inflação, fortalecimento do salário-mÃnimo e aprovação da reforma tributária.
Consigo imaginar o red pill que existe dentro de alguns leitores salivando de ódio por uma mulher que escreve "essas coisas". à aviltante para esses tipos a mente feminina e livre que pode, ai que delÃcia, devanear com o flerte ou o personagem que bem entender. Os mais obcecados pela decência se parecem demais com os que acreditam em uma superioridade masculina. De um lado temos os sujos, do outro, gente capaz de estuprar e matar.
Fantasia narrada não é história de amor, tampouco defesa pública de idoneidade. Depois do meu "one night stand" ficcional com Xandão, já estive com tanta gente pelas madrugadas onÃricas: Zohran Mamdani, Seth Meyers, Kleber Mendonça Filho, Bad Bunny, e volta e meia visito mentalmente Renan Calheiros e dançamos forró. Mas, como tudo acontece apenas nas simbolizações do meu inconsciente, se algum deles cometer irregularidades graves, é só eu voltar a sonhar com a Natuza Nery (tá, nunca parei) e vai ficar tudo bem.
Ou, ainda, posso seguir fantasiando fortemente com os personagens principais da série "Rivalidade Ardente" (HBO Max). Sem dúvida, umas das qualidades que mais admiro em um homem é a mesma mencionada pela cantora espanhola RosalÃa: "Que seja gay".
Quando me perguntam meu filme de amor preferido não penso duas vezes: "Call Me by Your Name", do diretor Luca Guadagnino. Ele também dirigiu outros dois filmes espetaculares: "Challengers" e "Queer". São todas histórias complexas sobre homens gays (ou bissexuais) belÃssimos, francos, vulneráveis e mortos de tesão. As cenas de sexo são obras-primas, sem clichê, sem romantismo hollywoodiano barato, cheias de fúria, verdade, consentimento e paixão.
Lendo matérias e ouvindo podcasts sobre o assunto, concordo com as teorias levantadas para explicar o sucesso desse nicho do audiovisual entre as mulheres: sem objetificação feminina, sem machos tóxicos, sem violência de gênero e sem heteropessimismo. Sobra espaço e sobra tempo para retratar o homem viril e másculo de forma sensÃvel e profunda. E em ótimas posições.