Resumo objetivo: A inflação mensal da Argentina em fevereiro foi de 2,9%, mantendo-se em um patamar elevado e acima das expectativas. No acumulado anual, o índice chegou a 33,1%, refletindo a dificuldade do governo Milei em conter a alta de preços, que foi puxada principalmente por habitação, energia e alimentos. O governo atribui a persistência inflacionária a um necessário ajuste de preços após distorções acumuladas, enquanto continua a implementar um rigoroso programa de ajuste fiscal e monetário.
Principais tópicos abordados:
1. Dados da inflação: Resultados mensais (2,9%) e acumulados (33,1% em 12 meses), com destaque para os setores com maiores altas.
2. Desafio de política econômica: A persistência da inflação alta e a dificuldade do governo em reduzir seu ritmo de forma consistente.
3. Medidas e justificativas do governo: A implementação de um forte ajuste econômico e a defesa de que a inflação atual é parte de uma "correção de preços relativos" necessária.
4. Contexto e estratégia: O pacote de austeridade do governo Milei e suas negociações com o FMI para reorganizar a economia.
A inflação da Argentina ficou em 2,9% em fevereiro, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgado nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). O resultado manteve o índice no maior patamar em quase um ano e veio acima da expectativa de economistas, de acordo com os textos de referência.
No acumulado de 12 meses até fevereiro, a inflação oficial chegou a 33,1%, acima dos 32,4% registrados no mês anterior. No primeiro bimestre de 2026, o avanço foi de 5,9%.
Os grupos com maior alta no mês foram habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis, com 6,8%, e alimentos e bebidas não alcoólicas, com 3,3%. Também registraram elevação de bens e serviços diversos, com 3,3%, e restaurantes e hotéis, com 3%. Nos alimentos, a alta de 3,3% foi uma das mais relevantes do mês
O resultado de fevereiro ficou estável em relação a janeiro e reforçou a dificuldade do governo de Javier Milei em reduzir o ritmo de alta dos preços. Nesta semana, o presidente voltou a afirmar que a inflação pode caminhar para zero nos próximos meses.
Os dados também mostram que a desaceleração observada ao longo de 2024 perdeu força. Em 2025, a inflação mensal permaneceu entre 2% e 3%, com poucas leituras abaixo de 2%, segundo os materiais enviados.
No recorte regional, o IPC nacional de fevereiro ficou acima de 3% em quase todas as regiões do país, com exceção da Grande Buenos Aires. A inflação foi de 3% na região Pampeana, 3,1% no Nordeste, 3,5% no Noroeste e 3,4% em Cuyo.
Governo atribui alta a “correção de preços relativos”
Após a divulgação do índice, o ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, afirmou em sua conta na rede X que o país ainda atravessa um processo de “correção de preços relativos”, após “mais de duas décadas de acumular distorções”.
De acordo com o ministro, essa correção seria parte do caminho para assegurar o equilíbrio macroeconômico e sustentar o crescimento. Caputo também defendeu como prioridades do programa econômico o equilíbrio fiscal, o controle da quantidade de dinheiro em circulação e a melhora do balanço do Banco Central.
A declaração contrasta com a leitura de que a inflação segue sem ceder de forma mais consistente. O próprio dado de fevereiro, ao permanecer em 2,9%, ficou distante da meta defendida por Milei de levar o índice a zero.
Ajuste econômico segue no centro da política de Milei
Desde que assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, Milei implementou um forte arrocho econômico. Entre as medidas citadas nos textos de referência estão a paralisação de obras federais, a interrupção de repasses para as províncias e a retirada de subsídios sobre tarifas de água, gás, energia, transporte público e outros serviços.
Esse pacote teve impacto direto sobre os preços ao consumidor. Ao mesmo tempo, o governo passou a tratar a desaceleração da inflação como um dos eixos centrais de sua estratégia para reorganizar a economia argentina.
Nos últimos meses, essa política foi combinada com medidas monetárias, fiscais e cambiais, além de negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e busca de apoio externo para fortalecer reservas e estabilizar o câmbio.