Resumo objetivo:
José Antonio Kast iniciou seu governo no Chile reforçando sua agenda de ultradireita, com decretos contra a imigração e uma auditoria na gestão anterior de Gabriel Boric. Embora tenha moderado o discurso na campanha, sua eleição representa a primeira vez que um defensor aberto da ditadura de Pinochet assume a presidência desde a redemocratização. Seu sucesso dependerá de buscar consensos em um país politicamente polarizado, equilibrando medidas ultraliberais com gestos pragmáticos, como agilizar programas sociais e desfiliar-se do próprio partido para ampliar apoio no Legislativo.
Principais tópicos abordados:
1. Posicionamento político e medidas iniciais: antagonismo com o governo anterior, decretos contra imigração e auditoria nas contas de Boric.
2. Contexto histórico e político: eleição como primeiro presidente aberto defensor de Pinochet, polarização e alternância de poder no Chile.
3. Desafios e estratégias de governabilidade: necessidade de pragmatismo, busca de apoio legislativo e equilíbrio entre agenda ultraliberal e proteções sociais.
Em seu inÃcio como presidente do Chile, José Antonio Kast reforçou o antagonismo entre sua pauta de ultradireita e a gestão de esquerda de seu antecessor, Gabriel Boric, assim como respondeu a seu eleitorado avesso à imigração.
Eleito em dezembro com 58,1% dos votos válidos, Kast tornou-se o primeiro polÃtico abertamente defensor da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) a chegar á presidência desde a redemocratização. Para vencer, moderou seu discurso na campanha eleitoral.
Reservou 3 de seus 6 primeiros decretos a medidas contra a imigração, como a construção de barreiras na fronteira norte do paÃs e o uso da força militar contra o ingresso de indocumentados âem linha com o receituário de Donald Trump nos Estados Unidos.
Outro decreto abriu auditoria nas contas da gestão Boric, com a qual rompeu no perÃodo de transição. Está ainda por vir a polÃtica do presidente para o combate ao crime organizado e à violência, outro pilar de sua campanha.
Mas governar um paÃs que, desde 2010, alterna presidentes de esquerda e direita exigirá de Katz a busca por consensos. A radicalização traz riscos conhecidos na história recente do Chile.
Os protestos violentos de 2019 e 2020 contra polÃticas liberais de Sebastián Piñera resultaram em ao menos 11 mortes, debilitaram o restante do governo e motivaram a eleição de Boric em 2021.
O fracasso do agora ex-presidente em aprovar uma nova Constituição plena de pautas progressistas não só reverberou negativamente como deixou o paÃs sob a mesma Carta redigida pelo regime de Pinochet.
Katz indicou ter compreendido que, dada a elevada desigualdade no paÃs, até mesmo um governo ultraliberal há de preservar proteções aos mais vulneráveis. Em seu primeiro pacote, por exemplo, agilizou a entrega de moradias pelo Ministério da Habitação.
Em outro gesto, desfiliou-se do Partido Republicano, por ele criado em 2019, como meio de obter apoio massivo do bloco de direita no Legislativo a seus projetos. Para enfrentar uma esquerda coesa nos plenários, terá de equilibrar-se nas diferenças entre conservadores radicais e moderados.
Por mais alinhado que esteja a Trump e ao argentino Javier Milei, Katz sabe que seu sucesso depende de pragmatismo. Será arriscado politicamente estimular o crescimento econômico sem melhorar a distribuição de renda.
Mas, ao lidar com a percepção popular de aumento da violência e invasão de imigrantes, poderá sugerir medidas que nenhum governo de esquerda e de direita do Chile chegou a alentar.