Resumo objetivo:
O governador do Rio Grande do Sul e pré-candidato à Presidência, Eduardo Leite, defendeu a criação de vagas específicas para a população trans no serviço público como forma de garantir diversidade no Estado. Durante um evento focado em saúde, ele priorizou debates sobre economia, segurança pública e política, afirmando que é possível conciliar agendas tradicionalmente associadas à direita (como equilíbrio fiscal) com pautas de inclusão social, que, segundo ele, foram "apropriadas pela esquerda".
Principais tópicos abordados:
1. Inclusão no serviço público: Defesa de cotas para pessoas trans e políticas para ampliar a presença de grupos historicamente excluídos (como LGBT+, mulheres e população negra) no governo.
2. Agenda política conciliatória: Proposta de unir em seu governo temas econômicos e de segurança (associados à direita) com pautas de diversidade e inclusão social (associadas à esquerda).
3. Saúde: Menção à necessidade de atendimento universal no SUS, com capacitação permanente de profissionais para evitar discriminação e melhorar o acolhimento, especialmente da população LGBTQIAPN+.
O governador do Rio Grande do Sul e pré-candidato à Presidência da República, Eduardo Leite (PSD), defendeu nesta quinta-feira (12) vagas especÃficas para população trans no serviço público.
"Se o serviço público é para prestar serviço à sociedade, ao povo, ele tem que ter dentro da estrutura pública a diversidade que existe na rua. Existem várias ações nesse sentido, como reservas de vagas para populações especÃficas dentro do serviço público. No Rio Grande do Sul, a gente avançou nisso. Por lá já existem vagas para a população trans no serviço público", disse.
A declaração foi feita durante participação no evento Diálogos da Saúde â Eleições 2026, em São Paulo, promovido pelo SindHosp (Sindicato dos Hospitais, ClÃnicas e Laboratórios de São Paulo), com apoio da FeSaúde (Federação dos Hospitais, ClÃnicas e Laboratórios de São Paulo).
A iniciativa reúne pré-candidatos a presidente para discutir propostas e desafios para o SUS (Sistema Ãnico de Saúde). Já participaram da iniciativa o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD).
Apesar da proposta do encontro de trazer um debate sobre saúde, a participação de Leite acabou tendo pouco foco em propostas especÃficas para essa área.
Ao longo da conversa mediada por Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, o governador concentrou grande parte das respostas em temas como economia, segurança pública, questões polÃticas e institucionais envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal), além de relembrar a gestão das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.
Ao abordar polÃticas de inclusão social, o governador citou a necessidade de ampliar a presença de diferentes grupos dentro do próprio governo.
"Há uma série de polÃticas públicas que precisam ser feitas quando se fala de mudanças culturais, não apenas em relação à população LGBT, mas também a mulheres, população negra e outros grupos que historicamente ficaram afastados de espaços de poder", afirmou.
"A gente está falando de grupos que ficaram alijados de participação nos diversos espaços diante de uma cultura que se impôs de homens brancos. Isso não é resolvido da noite para o dia."
Leite disse que as pautas de diversidade, inclusão e promoção social foram apropriadas pela esquerda, e defendeu a possibilidade de conciliar essas agendas dentro de seu governo.
"O que eu aposto é que a gente pode conciliar no Brasil uma ação de governo com temas que foram apropriados pela direita, como equilÃbrio fiscal e enfrentamento à criminalidade, com aqueles temas que são hoje apropriados pela esquerda, como respeito, diversidade, inclusão e promoção social", afirmou.
Questionado sobre polÃticas de saúde voltadas à população LGBTQIAPN+, o governador disse, em nota, que o princÃpio central do sistema deve ser o atendimento universal com dignidade e respeito.
Segundo Leite, relatos de discriminação e dificuldades de acesso indicam que o sistema de saúde ainda precisa avançar na organização do cuidado e na preparação dos profissionais.
Uma das estratégias defendidas é investir em programas permanentes de capacitação e formação para profissionais do SUS ( Sistema Ãnico de Saúde).
"O problema muitas vezes não é apenas preconceito, mas também falta de preparo. Por isso, programas nacionais de formação e atualização para profissionais do SUS são fundamentais para garantir um atendimento mais adequado e acolhedor", afirmou.