Resumo objetivo:
Fabiano Zettel, cunhado e operador do dono do Banco Master, aplicou R$ 26 milhões em um fundo vinculado a uma rede fraudulenta, que era sócio do ministro do STF Dias Toffoli em um resort. Toffoli, que relatava o inquérito sobre o Banco Master, omitiu esse vínculo e deixou a relatoria após a revelação de mensagens que discutiam pagamentos a uma empresa da qual ele é sócio. O Coaf identificou movimentações financeiras suspeitas de Zettel, incompatíveis com sua renda declarada, indicando que sua conta era usada para transitar recursos de terceiros.
Principais tópicos abordados:
1. Conexões financeiras e conflito de interesse: A ligação entre o operador do Banco Master, fundos investigados e o ministro Dias Toffoli, com omissão de vínculos durante a relatoria do caso.
2. Investigação e prisões: A prisão de Zettel e as investigações da PF e do Coaf que apontam movimentações atípicas e possível gestão de recursos para o banqueiro Daniel Vorcaro.
3. Rede de influência: A associação de Zettel e Vorcaro com políticos importantes e o uso de uma mansão em Brasília como ponto de encontro.
Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, aplicou R$ 26 milhões no fundo Leal no segundo semestre de 2022. O Leal controla outro fundo, o Arleen, que era sócio do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli e familiares no resort Tayayá, em Rio Claro (PR).
A Folha revelou em janeiro deste ano que o Arleen, que fazia parte da rede fraudulenta do Master, era sócio de dois irmãos de Toffoli no empreendimento hoteleiro.
Na época, o ministro era o relator do inquérito que apura possÃveis crimes cometidos pelo Master e diversas decisões tomadas pelo ministro causaram estranheza entre os servidores que tocam as investigações.
Até então, Toffoli não tinha revelado que era sócio da firma. O ministro deixou a relatoria do caso, que redistribuÃdo para André Mendonça.
Com a revelação das ligações entre Toffoli e Vorcaro a pressão sobre o ministro começou a aumentar, até ficar insustentável após um relatório da PF (PolÃcia Federal) entregue ao STF trazer mensagens trocadas entre Vorcaro e Zettel, nas eles quais discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem entre seus sócios o magistrado.
A Maridt foi criada em 2020, ano anterior a entrada do fundo de Zettel na sociedade do Tayayá. Em setembro de 2021, pouco mais de um ano da abertura da companhia, a empresa entrou na sociedade do resort.
Procurado por meio da assessoria de imprensa do STF nesta quinta, Toffoli não respondeu aos questionamentos da reportagem.
O relatório do Coaf lista R$ 99,4 milhões em movimentações financeiras feitas por Zettel no perÃodo, sendo R$ 50 milhões que entraram em suas contas e R$ 49,4 milhões que saÃram. Os aportes no Leal â11, ao todoâ representam 53% de tudo que saiu no perÃodo.
"As movimentações em conta estão incompatÃveis com a capacidade financeira declarada", diz o Coaf, segundo o qual Zettel teria uma renda mensal de R$ 66,6 mil.
A defesa do empresário afirmou que não se manifestaria sobre o assunto.
Zettel é casado com Natália Vorcaro, irmã do dono do Master, e foi pastor da Igreja Batista da Lagoinha.
O Coaf alerta para o fato de que ele teria pago boletos em nome da esposa, cujo beneficiário final era Vorcaro, "sem causa aparente".
"A conta [do ex-pastor] aparentemente está sendo utilizada para o trânsito de recursos de terceiros", diz o conselho.
Tal suspeita já havia sido apontada pelo ministro André Mendonça na decisão que determinou a prisão de Zettel, na semana passada.
Mensagens interceptadas pela PF apontam que o ex-pastor fazia a gestão de pagamentos em nome de banqueiro âindÃcio que também é apresentado pelo Coaf.
Além disso, o conselho aponta para "depósito expressivo através de cheque, pagamentos diversos, transferências eletrônicas de mesma titularidade que entram e saem da conta, incomuns com o perfil de pessoa fÃsica, dificultando a identificação da origem e destinação de parte dos recursos, bem como, recebimento de recursos com envio imediato, de valores expressivos, sem causa aparente".
Zettel foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, nas primeiras operações contra a fraude bilionária atribuÃda a seu cunhado.
Em março deste ano, alvo de uma nova ordem judicial, Zettel se entregou à polÃcia, no mesmo dia em que Vorcaro foi preso pela segunda vez.
Segundo as investigações, Zettel também seria dono da mansão em BrasÃlia que funcionava como ponto central do ex-banqueiro.
Era lá que Vorcaro se reunia com polÃticos importantes, como o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PP-PI).