Resumo objetivo:
O artigo aponta um recuo geral na oferta de tecnologias inclusivas e melhorias de acessibilidade nas salas de cinema de São Paulo, com a automatização dos serviços reduzindo o atendimento humanizado a idosos e pessoas com deficiência. Em contraste, destaca o complexo Cinépolis Jardim Pamplona como exceção positiva, mantendo e aprimorando seus compromissos de acessibilidade física e comunicacional. O texto também critica a falta de informações claras sobre recursos de acessibilidade em outras redes e enfatiza que a inclusão é um direito, não um benefício opcional.
Principais tópicos abordados:
1. Retrocesso na inclusão: Recuo na oferta de tecnologias assistivas e atendimento humanizado nos cinemas.
2. Exceção positiva: Destaque do Cinépolis Jardim Pamplona por sua acessibilidade consistente (piso podotátil, atendimento personalizado, espaços para cadeirantes e cães-guias).
3. Críticas estruturais: Falta de informações claras sobre acessibilidade em outras redes e a necessidade de tratar inclusão como direito, não como serviço premium.
São Paulo Nenhuma grande novidade inclusiva ganhou destaque nos cinemas paulistanos no último ano. O que foi possÃvel observar e constatar, inclusive, foi um certo recuo na oferta de novas tecnologias de inclusão, melhorias em arquiteturas para salas mais receptivas e um afrouxamento da postura de tentar fazer o universo da sétima arte se tornar mais plural.
Com processos e bilheterias cada vez mais informatizados, há menos pessoas para atuar em situações tÃpicas que envolvem o público com deficiência e idoso, por exemplo. Receber uma informação, uma ajuda para algo trivial âcomo carregar um saco de pipocas, ou enxergar o número da poltronaâ fica mais distante de algo possÃvel de ser oferecido.
Por outro lado, consumidores de grupos diversos foram encorajados nos últimos anos a saÃrem de casa para verem seus filmes preferidos no cinema porque haveria condições de recebê-los melhor em relação a um passado não muito distante. E está sendo mais comum ver pessoas com andadores ou cães-guias atrás de bons filmes.
Nesse sentido, as salas do Cinépolis Jardim Pamplona (todas VIP) seguiram mantendo o compromisso inclusivo e retomaram o posto de destaque em acessibilidade e inclusão, que já haviam ganhado em anos anteriores deste especial âfoi o melhor da categoria também em 2023 e 2024.
O cinema continua dando publicidade a seus mecanismos de tecnologia assistiva, melhorou a forma como pessoas com deficiência podem adquirir suas entradas e voltou a ficar atento a clientes que possam necessitar de um olhar mais próximo.
Destacam-se também no complexo, localizado dentro do shopping Jardim Pamplona, o piso podotátil, que orienta o caminhar de cegos e pessoas com baixa visão, a boa localização dos espaços reservados a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida dentro das salas e o serviço de atendimento personalizado. Para completar, o cinema dispõe de espaço para cão-guia.
Em outras redes que afirmam ter aplicativos ou dispositivos que otimizam a experiência do filme para pessoas com deficiência visual, intelectual ou auditiva âcom geração automática da descrição das cenas, para cegos, e Libras ou legendas, para surdosâ faltam informações claras e explicativas da oferta.
Acessibilidade fÃsica e comunicacional é direito e não pode ser vista como benefÃcio agregado ou favor das empresas aos consumidores com deficiência. A excelência inclusiva, por sinal, não pode ser sempre vinculada a um serviço premium e mais sofisticado.
Mesmo assim, é valioso apontar exemplos como o do Jardim Pamplona, o que joga luz à pluralidade dos apreciadores de cinema e de entretenimento e suas legÃtimas vontades de estarem e aproveitarem onde bem quiserem.