Cuba anunciou a libertação antecipada de 51 prisioneiros como um gesto de boa vontade em relação ao Vaticano, mediador histórico entre Havana e Washington. O anúncio ocorre em um contexto de tensões renovadas com os Estados Unidos, que mantêm um embargo petroleiro e declarações ofensivas contra a ilha. Organizações de direitos humanos, citando centenas de presos políticos, exigem libertações mais amplas, enquanto a Igreja Católica continua seu papel de ponte diplomática entre os dois países.
Principais tópicos abordados:
1. A libertação de prisioneiros por Cuba como gesto diplomático ao Vaticano.
2. O contexto de tensão nas relações entre Cuba e Estados Unidos.
3. O papel histórico da Igreja Católica como mediadora.
4. A questão dos presos políticos em Cuba e as demandas de direitos humanos.
Cuba anunciou na noite desta quinta-feira (12) a libertação antecipada "nos próximos dias" de 51 prisioneiros, como demonstração de "boa vontade" em relação ao Vaticano, mediador histórico entre Havana e Washington.
O anúncio ocorre em meio a tensões renovadas entre Cuba e Estados Unidos. Washington aplica um embargo petroleiro contra a ilha comunista e o presidente Donald Trump multiplica as declarações ofensivas contra o paÃs.
"No espÃrito de boa vontade, de relações estreitas e fluidas entre o Estado cubano e o Vaticano, Cuba decidiu libertar nos próximos dias 51 pessoas condenadas à privação de liberdade", afirma um comunicado do Ministério das Relações Exteriores.
A informação, que não menciona os nomes dos beneficiados nem os crimes pelos quais foram condenados, garante que se trata de prisioneiros que cumpriram "uma parte significativa da pena" e "mantiveram bom comportamento".
"Esta decisão soberana constitui uma prática habitual em nosso sistema de justiça penal", acrescenta o comunicado.
Segundo a ONG 11J, que registra detenções em Cuba desde as manifestações de 11 de julho de 2021, quando milhares de pessoas saÃram à s ruas gritando "liberdade" e "abaixo a ditadura", há no paÃs pelo menos 760 presos "por razões polÃticas".
A organização afirmou que "358 foram encarceradas por participar dos protestos de 11J de 2021" e, após o anúncio governamental, exigiu a "libertação plena e incondicional de todas as pessoas encarceradas por motivos polÃticos" como a "única solução compatÃvel com os direitos humanos" em Cuba.
A Igreja Católica atua há décadas como mediadora e canal de diálogo entre Cuba e Estados Unidos e teve papel fundamental no degelo das relações diplomáticas entre os dois paÃses em 2015, durante o segundo mandato de Barack Obama (2013-2017).
Em 28 de fevereiro, durante uma turnê diplomática pela Europa, o ministro cubano das Relações Exteriores, Bruno RodrÃguez, foi recebido em audiência pelo papa Leão 14, quando Cuba vive uma crise aguda agravada pelo bloqueio do fornecimento de combustÃvel de Caracas, após a captura em janeiro de Nicolás Maduro, durante uma operação norte-americana.
Uma semana antes, o secretário da Santa Sé para as Relações com os Estados, Paul Richard Gallagher, havia se reunido com dois diplomatas norte-americanos: o encarregado de negócios em Havana, Mike Hammer, e o embaixador no Vaticano, Brian Burh, para falar sobre "a situação em Cuba".
A última mediação da Igreja Católica remonta a 2025. Em janeiro daquele ano, o governo cubano se comprometeu a libertar 553 presos, por um acordo prévio com o Vaticano e após o ex-presidente norte-americano Joe Biden anunciar a retirada de Cuba da lista de "estados patrocinadores do terrorismo".
Essa medida foi revogada alguns dias depois pelo atual presidente Donald Trump, em sua chegada à Casa Branca.
Havana libertou dois meses depois os 553 condenados, embora organizações de direitos humanos só tenham conseguido comprovar que uma parte deles eram presos polÃticos e outros eram presos comuns. O governo não divulgou uma lista com os nomes dos libertados.
Em 2010, a Igreja Católica obteve do ex-lÃder Raúl Castro a libertação de cerca de 130 presos polÃticos, entre eles os 75 da onda de repressão lançada em 2003 contra a dissidência.
Cuba é um dos poucos paÃses da América Latina a receber a visita de três papas: Francisco em 2015, para construir pontes entre o paÃs comunista e a superpotência capitalista; João Paulo 2ºI em 1998 e Bento 16 em 2012.
Trump declarou que estava estudando uma "tomada de controle amigável" de Cuba, sem detalhar como seria uma operação desse tipo.
O chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, de origem cubana, declarou que Cuba deveria "mudar drasticamente".
Trump insiste que está em andamento um processo de negociação com altos funcionários da ilha, mas Havana nega a existência dessas conversas, embora insista em sua disposição para um diálogo com os EUA "sem pressões" nem "ingerência".
Desde janeiro, os Estados Unidos impõem um bloqueio energético a Cuba, invocando uma "ameaça excepcional" para a segurança nacional norte-americana vinda desta ilha comunista situada a apenas 150 km da costa da Flórida.
Como consequência, a ilha de 9,6 milhões de habitantes sofre com a falta de combustÃveis e cortes de energia recorrentes.