Forças da OTAN abateram um míssil iraniano lançado contra a base aérea de Incirlik, na Turquia, que abriga armas nucleares táticas dos EUA. O incidente ocorre em meio a uma guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, com a Turquia, membro da OTAN, adotando uma postura crítica e proibindo o uso de sua base para ataques ao país persa. O conflito ampliou a tensão regional, provocando movimentos militares de várias potências no Mediterrâneo e reacendendo disputas histórias, como a entre Grécia e Turquia, que reforçaram suas posições defensivas sem entrar diretamente na guerra.
Principais tópicos abordados:
1. O ataque iraniano e a interceptação pela OTAN.
2. A importância estratégica e nuclear da base de Incirlik.
3. A posição ambígua da Turquia, aliada da OTAN mas crítica à guerra.
4. A escalada das tensões e movimentos militares no Mediterrâneo.
5. O reacendimento da rivalidade greco-turca no contexto do conflito.
Forças da Otan abateram nesta sexta-feira (13) o terceiro mÃssil lançado pelo Irã contra a Turquia desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra Teerã, há quase duas semanas. Desta vez, o alvo foi uma base que abriga bombas nucleares.
O incidente ocorreu de madrugada na região da base de Incirlik, no sul turco, não muito distante da SÃria. Sirenes soaram e moradores registraram imagens do rastro do mÃssil, além de explosões provocadas pela ação das defesas antiaéreas.
Por sua posição privilegiada cobrindo o norte do Oriente Médio, Incirlik sempre foi palco de operações americanas em outros conflitos na região. Mas agora o governo turco proibiu seu uso para ataques contra o Irã, tendo criticado a guerra em si.
Em Incirlik há 57 instalações fortificadas para o manejo e abrigo de estimadas 20 bombas nucleares de gravidade B61, modelos táticos, ou seja, menos potentes e para uso teoricamente limitado ao campo de batalha.
Não há caças americanos permanentemente baseados lá, mas os modelos F-16 e F-35 são capacitados para lançar a arma. Os EUA estão aumentando seu estoque de bombas táticas na Europa, que são espalhadas por seis bases em cinco paÃses.
A Turquia é membro da Otan, a aliança militar liderada pelos EUA, mas o fato de que o governo de Recep Tayyip Erdogan não colaborou com Donald Trump nesta guerra torna os ataques iranianos um certo mistério.
Nas duas ocasiões anteriores, Teerã negou ter sido a autora dos disparos, mas a trajetória de mÃsseis balÃsticos é facilmente rastreada pelos sensores na região. Ainda não se sabe quem abateu o mÃssil. Nas duas ocasiões anteriores, a interceptação foi feita por sistemas antiaéreos de destróieres americanos no Mediterrâneo oriental.
A região ganhou destaque no atual conflito quando os iranianos atingiram com um drone uma base britânica em Chipre, ilha próxima da Turquia que é dividida desde 1974 entre um governo pró-Ancara e outro pró-Atenas âgregos e turcos são rivais históricos desde o domÃnio otomano da região, ainda que aliados na Otan.
O ataque iraniano levou a uma intensa atividade militar do Mediterrâneo: além do grupo de porta-aviões americano do USS Gerald Ford, França, Reino Unido, Holanda, Espanha e Grécia enviaram navios para a região.
Houve também um efeito colateral da crise. Buscando se precaver, a Grécia deslocou também uma bateria antiaérea Patriot para a ilha de Cárpatos, na entrada do mar Egeu. A Turquia protestou, dizendo que isso viola o pacto de desmilitarização da região, estabelecido em acordos de 1923 e 1947.
Ao mesmo tempo, Ancara enviou seis caças F-16 para a porção norte de Chipre, visando aumentar sua vigilância, o que foi visto como uma provocação em Atenas. Isso dito, ambos os rivais já afirmaram que não buscam entrar na guerra dos EUA, apenas reforçar suas posições defensivas.