A Cruz Vermelha da China enviou US$ 200 mil em ajuda humanitária às famílias das vítimas do ataque a uma escola primária em Minab, Irã. A China condenou veementemente o ataque, classificando-o como uma grave violação do direito internacional humanitário, e exigiu, no Conselho de Segurança da ONU, que EUA e Israel cessem imediatamente as ações militares. O conflito já causou milhões de deslocados internos e refugiados na região, sendo descrito como uma grave ameaça à paz internacional.
Principais tópicos abordados:
1. Ajuda humanitária chinesa às vítimas do ataque no Irã.
2. Condenação diplomática da China aos ataques e defesa da soberania iraniana.
3. Ações e posicionamento no Conselho de Segurança da ONU.
4. Impacto humanitário do conflito (mortes, deslocamentos em massa).
A Cruz Vermelha da China anunciou o envio de US$ 200 mil (mais de R$ 1 milhão) em assistência humanitária emergencial à Meia Lua Vermelha Iraniana, (a organização humanitária desse país), destinados especificamente às famílias das meninas assassinadas no ataque a uma escola primária da cidade de Minab, na província de Hormozgan, no sul do Irã. O anúncio foi feito pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (13).
A Escola Primária Shajareh Tayyebeh foi bombardeada logo no início da agressão militar não provocada dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro. Segundo o governo da República Islâmica do Irã, foram assassinadas no ataque, 168 crianças e vários professores, totalizando 176 mortes.
“A China condena todos os ataques indiscriminados contra civis e alvos não militares. Ataques a escolas e danos a crianças são violações particularmente graves do direito internacional humanitário e ultrapassam os limites da moralidade humana fundamental”, afirmou Guo.
A Cruz Vermelha da China é uma organização de assistência social dedicada ao trabalho humanitário, que atua de forma independente sob a liderança do Partido Comunista Chinês, sendo apoiada e financiada pelos governos populares em todos os níveis, os quais também supervisionam as suas atividades.
Guo acrescentou que a China está disposta a continuar prestando a assistência necessária ao Irã em espírito humanitário, para apoiar o povo iraniano na superação das dificuldades geradas pelo conflito.
Ontem, no Conselho de Segurança da ONU, o representante permanente da China, Fu Cong, exigiu que Estados Unidos e Israel cessem imediatamente as ações militares e se abstenham de atacar instalações nucleares iranianas sob salvaguarda da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), alertando para o risco de escalada e de alastramento do conflito por toda a região do Oriente Médio.
“A soberania, segurança e integridade territorial do Irã devem ser respeitadas. Instamos os Estados Unidos a reverter sua posição imediatamente, retornar às negociações diplomáticas, assumir um compromisso claro de não usar a força, engajar-se em diálogo sincero com o Irã e trabalhar por uma solução que atenda às expectativas da comunidade internacional”, afirmou Fu.
Fu também lamentou a rejeição da resolução proposta pela Rússia no Conselho de Segurança, que pedia o fim imediato das atividades militares e o retorno à via diplomática.
O texto recebeu votos favoráveis de China, Rússia, Paquistão e Somália, mas foi vetado pelos Estados Unidos, com Latvia votando também contra. “Esta é uma guerra que não deveria ter acontecido e que não beneficia ninguém. A história do Oriente Médio demonstra repetidamente que a força não resolve nada e os conflitos armados apenas aumentam o ódio e geram novas crises”, disse Fu.
No mesmo dia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que os ataques militares massivos lançados por Estados Unidos e Israel, seguidos das retaliações do Irã em vários países da região, “constituem uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais e causaram imenso sofrimento aos civis”.
Segundo o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stephane Dujarric, o conflito já deslocou internamente mais de 4,1 milhões de pessoas no Afeganistão, Irã, Líbano e Paquistão desde o início da escalada militar. Outros 117 mil buscaram refúgio em outros países, de acordo com dados do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR).
Só no Irã, entre 600 mil e 1 milhão de famílias estão temporariamente deslocadas, o que corresponde a cerca de 3,2 milhões de pessoas, num total que tende a crescer enquanto as agressões de EUA e Israel persistirem.