O líder cubano, Miguel Díaz-Canel, anunciou que autoridades de Cuba e Estados Unidos mantiveram conversas para buscar uma solução para o bloqueio petrolífero imposto por Washington, que agravou severamente a crise econômica e humanitária na ilha. A escassez de combustível, agravada pela interrupção do fornecimento da Venezuela e do México, causou apagões prolongados, colapso de serviços básicos e paralisia no setor turístico. Como gesto de boa vontade, Cuba anunciou a libertação antecipada de 51 prisioneiros, enquanto o governo Trump justifica a pressão econômica classificando o país como uma "ameaça excepcional" à segurança dos EUA.
Principais tópicos abordados:
1. Diálogo bilateral entre Cuba e EUA sobre o embargo/bloqueio petrolífero.
2. Grave crise energética e humanitária em Cuba, com escassez severa de combustível.
3. Impactos concretos da crise: apagões, suspensão de serviços básicos e colapso do turismo.
4. Medidas de Cuba: aumento da produção doméstica, gesto com a libertação de presos e busca por negociação.
5. Justificativa e pressão dos EUA, com foco na política da era Trump.
O lÃder de Cuba, Miguel DÃaz-Canel, afirmou nesta sexta-feira (13), em um raro pronunciamento transmitido pela televisão estatal, que autoridades cubanas conversaram com representantes do governo dos Estados Unidos em busca de uma saÃda para o bloqueio pretoleiro de Washington.
Segundo ele, nenhum combustÃvel entrou em Cuba nos últimos três meses.
O paÃs enfrenta uma de suas mais graves crises econômicas e humanitárias desde a revolução de 1959, agravada pelo veto ao comércio de petróleo venezuelano com a ilha, imposto por Donald Trump depois da captura do ditador Nicolás Maduro. Cuba tem convivido com apagões de até 20 horas diárias, hotéis fechados, voos cancelados e suspensão de coleta de lixo e serviços básicos.
"Essas conversas tiveram como objetivo encontrar soluções por meio do diálogo para as diferenças bilaterais que temos entre as duas nações", afirmou DÃaz-Canel. O lÃder cubano disse ainda que a ilha está disposta a continuar as negociações e que buscará entender se existe "vontade" de ambos os lados para chegar a um acordo.
A situação, afirmou ele, trouxe angústia à população e instabilidade dos serviços básicos. "Me pergunto que paÃses teriam a capacidade de manter a geração elétrica em meio a um bloqueio como esse? Isso só foi possÃvel porque fizemos um uso racional âe até criativoâ dos recursos disponÃveis", completou.
DÃaz-Canel disse que o paÃs está aumentando a produção de petróleo bruto e gás domésticos. O lÃder chamou o bloqueio de perverso, afirmando que a falta de luz está afetando o sistema de saúde e que há uma fila de milhares de pessoas esperando para realizar procedimentos cirúrgicos. Segundo ele, padarias também estão recorrendo ao uso de lenha e carvão para seguir funcionando.
Cuba anunciou na noite de quinta-feira (12) a libertação antecipada "nos próximos dias" de 51 prisioneiros, como demonstração de "boa vontade" em relação ao Vaticano, mediador histórico entre Havana e Washington. No discurso, o lÃder cubano disse que a decisão foi tomada de maneira autônoma pelo regime e que não foi imposta por nenhum outro paÃs.
Além da asfixia econômica, Trump tem ameaçado a queda de regime em Cuba. No inÃcio deste mês, o americano afirmou que os EUA vão se voltar para a ilha após a Guerra no Irã. "Queremos terminar isso primeiro", disse o republicano, referindo-se ao conflito contra o paÃs persa. "Mas isso será apenas uma questão de tempo até que [...] um monte de gente inacreditável volte para Cuba." Segundo ele, a ilha "deseja muito fechar um acordo" com os EUA.
Desde a operação militar americana na Venezuela, Cuba deixou de receber petróleo de Caracas, que era crucial para o funcionamento de sua economia. Após pressão de Trump, o México, outro importante fornecedor, também interrompeu as remessas à ilha.
Washington ainda ameaçou impor tarifas contra paÃses que vendam petróleo a Cuba. Estima-se que o paÃs produza menos da metade do petróleo de que necessita.
O agravamento dos perÃodos sem energia elétrica levou algumas famÃlias a instalar painéis solares em suas casas, mas a solução é limitada. Havana passa por racionamentos de energia que podem durar até 15 horas, enquanto a situação nas provÃncias é ainda mais grave.
à crise energética soma-se a prolongada crise econômica de Cuba, que deve piorar com o colapso do setor turÃstico frente a escassez de petróleo. Linhas aéreas como a Air France anunciaram que vão suspender suas operações no paÃs por falta de combustÃvel de aviação, mais um golpe para o turismo, importante fonte de renda para o regime.
O governo Trump justifica sua polÃtica de asfixiamento econômico contra Cuba dizendo que o paÃs de cerca de 10 milhões de habitantes a apenas 150 km de distância da Flórida representa uma "ameaça excepcional" à segurança dos EUA, dadas as relações do regime comunista com Rússia, China e Irã.