Resumo objetivo:
O Ministério da Fazenda projeta que uma guerra prolongada no Oriente Médio, ao elevar o preço do petróleo, teria um impacto líquido positivo na economia brasileira em 2026, aumentando o PIB em 0,36 ponto percentual e a inflação em 0,58 ponto. Esse cenário geraria um superávit comercial de US$ 10,3 bilhões, valorização cambial de 4,5% e aumento de R$ 96,6 bilhões na receita da União, impulsionado pela renda da indústria extrativa. Em um choque temporário, os efeitos seriam menores, com alta de 0,10 ponto no PIB e 0,14 ponto na inflação.
Principais tópicos abordados:
1. Projeções macroeconômicas: Impacto de um conflito prolongado no PIB, inflação, balança comercial, câmbio e receita fiscal do Brasil.
2. Canal de transmissão: O aumento do preço do petróleo Brent (projetado entre US$ 73 e US$ 100) como fator central, beneficiando o país por sua posição superavitária no setor.
3. Efeitos setoriais: Estímulo à atividade extrativa nacional e seus efeitos de encadeamento positivo na indústria de transformação.
4. Ressalvas metodológicas: As projeções não incorporam medidas fiscais recentes e poderiam ser revistas em caso de uma crise internacional mais severa.
O Ministério da Fazenda estima que uma guerra prolongada no Oriente Médio, com destruição de infraestrutura petrolÃfera e interrupções logÃsticas, pode elevar o PIB (produto interno bruto) brasileiro em 0,36 e a inflação em 0,58 ponto percentual no ano de 2026.
De acordo com a Secretaria de PolÃtica Econômica, a disrupção causada pelo aumento no preço do barril de petróleo também elevaria em US$ 10,3 bilhões (R$ 53,8 bilhões) o superavit comercial, levando a uma valorização cambial de 4,5% e aumento de aproximadamente R$ 96,6 bilhões na receita da União.
No caso de choque temporário, com redução do conflito nos próximos dias, o impacto sobre a economia brasileira seria menor, diz a Fazenda âcrescimento adicional de 0,10 ponto percentual no PIB e de 0,14 ponto na inflação ao consumidor.
As projeções elaboradas pela Fazenda colocam a cotação média do barril de petróleo Brent em US$ 73 a US$ 100 dólares, a variar conforme a duração e gravidade da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. à essa cotação que impactará inflação, produto interno bruto e receitas do governo, entre outras variáveis.
"Desde 2016, temos um superávit crescente na compra de petróleo e combustÃveis. Em paÃses superavitários, [o aumento nos preços do petróleo] tem efeitos bastante positivos na balança comercial, fiscal e no crescimento econômico", disse o secretário de PolÃtica Econômica, Guilherme Mello, durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira (13).
O governo também estima que o impacto no choque dos preços estimule a atividade extrativa no Brasil, gerando renda que se propaga para outros segmentos.
"Os modelos supõem que um aumento nos preços do petróleo leva à ampliação da renda gerada pela indústria extrativa. Esse aumento tende a gerar efeitos de encadeamento positivos sobre outros segmentos da indústria de transformação, como refino e produção de máquinas e equipamentos, contribuindo positivamente para o crescimento", diz material elaborado pela Fazenda.
Os cálculos feitos pelo governo para elaborar a previsão de impacto na economia brasileira não incorporaram a redução do PIS/Confis sobre o diesel, a subvenção a produtores e o imposto de exportação de petróleo. Essas medidas foram anunciadas na última quinta-feira (12) pelo governo federal.
"Se cenário ainda mais disruptivos do que nós projetamos desencadearem uma crise econômica e financeira internacional, seria preciso refazer as projeções", ressalvou o secretário Guilherme Mello.