O artigo critica a cobertura midiática da Globo, acusando-a de omitir informações comprometedoras sobre si mesma enquanto manipula a narrativa em outros temas. Os principais tópicos abordados são:
1) A suposta parcialidade do Jornal Nacional na cobertura da guerra EUA/Israel contra o Irã, privilegiando uma visão favorável a Trump e Netanyahu.
2) A omissão deliberada do escândalo do Banco Master, especificamente o patrocínio milionário recebido pelo Grupo Globo do banco, o que representaria um conflito de interesses.
3) A defesa, pelo autor, da cassação da concessão pública da Globo por sua associação com o banqueiro Daniel Vorcaro, considerado por ele uma ameaça à ordem econômica e à democracia.
No dia 11 de março, num Jornal Nacional curto, porque a fatura sai do Campeonato Brasileiro, assistimos mais um show de meias verdades.
Roberto Marinho já dizia: “Muito mais importante do que eu mostro no Jornal Nacional é o que eu não mostro no Jornal Nacional”. Traduzindo: tão importante como dar uma notícia, é esconder uma notícia.
A cobertura da guerra Israel/EUA contra o Irã continua desumanizando os iranianos, escondendo as derrotas sofridas pela aliança dos extremistas Trump e Netanyahu e endeusando Trump e suas mentiras cada vez mais evidentes.
Um vídeo de pastores evangélicos estendendo as mãos e abençoando Trump e “sua guerra”, que roda nas redes digitais, confirma o caráter perverso da empreitada estadunidense.
Mas, chama-nos a atenção a notícia que falta, ou seja, é omitida, escondida, na cobertura do escândalo do Banco Master. É que o Grupo Globo recebeu, em 2024, vários milhões do Master, a título de patrocínio de um dos seus veículos, o jornal Valor Econômico, numa festa realizada em Nova York.
Aliás, o jornal e o grupo Globo realizaram a festa onde eles se sentem em casa. Seria muito chinfrim realizá-la no Brasil. Sintomático.
O evento ocorreu em 15 de maio de 2024, no Hotel Plaza, em Nova York, e marcou o início das comemorações dos 25 anos do Valor Econômico. Na ocasião, Vorcaro foi o primeiro palestrante e representou o principal patrocinador do encontro.
Vocaro disse, “fiquei muito honrado com o convite. O [jornal] Valor tem sido um baluarte para nossa nação. O Valor tem sido uma referência e um norte para nós brasileiros, com informação sempre precisa e isenta. Cumprimento ao ‘Fred´ e toda a equipe que eu admiro bastante – Lauro, Maria Fernanda, Álvaro, Malu e todos demais pelos quais tenho uma admiração enorme”.
O regabofe global foi peça-chave para colocar Daniel Vorcaro e suas “empresas” no centro dos grandes financistas, leia-se também, especuladores nacionais e internacionais, com a chancela da família Marinho.
A vida do jovem banqueiro mineiro foi outra a partir daquele dia. Ele conseguiu entrar para o primeiro time de empresários e banqueiros do Brasil e foi apresentado, internacionalmente, como um vitorioso, tudo isso chancelado pelo grupo Globo e a credibilidade de um dos maiores e mais sérios jornais de economia do planeta, o Valor Econômico.
Atenção: o valor recebido por uma única noite foi de milhões de reais; talvez pouco menos do que o tal contrato do banco com o escritório da esposa de Alexandre de Moraes por dois anos de serviços.
Registre-se, ainda, o patrocínio da fintech Will Bank, pertencente ao conglomerado Master, que patrocinou o programa do global Luciano Huck que, por sua vez, se tornou garoto-propaganda do Will.
Cassação da concessão pública
Para a Globo, o ministro Alexandre de Moraes deveria renunciar ao cargo por causa do contrato da esposa.
Utilizando-se do mesmo critério, com ética e coerência, como cidadão brasileiro peço a cassação da concessão pública da Globo pelos negócios com o gangster da Lagoinha.
Uma emissora que tem concessão pública não pode operar com um gangster que atenta contra não-somente a ordem econômica, mas sua “turma”, da extrema-direita, atenta contra a democracia.
Robson Sávio Reis Souza é professor, pesquisador, pós-doutor em direitos humanos, presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos de Minas Gerais e associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública
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Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal