Resumo objetivo:
O coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, critica distribuidoras e revendedoras por ampliarem suas margens de lucro na venda de combustíveis, apesar de a Petrobras ter reduzido os preços nas refinarias. Ele atribui parte do problema às privatizações do setor no governo anterior, que reduziram o controle estatal sobre a cadeia, e elogia as medidas emergenciais do governo Lula, como a isenção de impostos e a fiscalização, mas defende maior intervenção estatal, incluindo a possível reestatização de redes de distribuição.
Principais tópicos abordados:
1. A disparidade entre a redução de preços nas refinarias da Petrobras e o aumento nos postos.
2. A crítica à atuação de distribuidoras privadas e seu lucro excessivo, agravado pelo contexto de guerra no Oriente Médio.
3. O impacto das privatizações do setor petrolífero no governo Bolsonaro.
4. As medidas governamentais de contenção e a defesa de maior controle estatal sobre a distribuição.
Enquanto a guerra no Oriente Médio eleva o preço do petróleo no mercado internacional, o governo federal anunciou medidas para tentar conter o impacto nos combustíveis no Brasil, incluindo a isenção de impostos federais e a criação de mecanismos de fiscalização para coibir abusos na ponta final. Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, analisa as ações do governo e denuncia a “chantagem” de distribuidoras e revendedoras que, segundo ele, estão ampliando margens de lucro às custas dos trabalhadores.
Bacelar começa com um dado contundente: desde 2023, as refinarias da Petrobras reduziram o preço dos combustíveis em média 26%, enquanto o preço na bomba subiu 40%. “As distribuidoras e revendedoras estavam aproveitando para ampliar margens de lucro em cima do consumidor final. Algo absurdo, que explica a abertura de centenas de novos postos nos últimos anos.”
O cenário se agravou com a guerra deflagrada por Estados Unidos e Israel contra o Irã. “O imperialismo estadunidense, junto com o Estado sionista de Israel, ataca um dos maiores produtores de petróleo do mundo. A lei da oferta e da demanda faz o preço subir, mas a Petrobras não aumentou um centavo no diesel e na gasolina em suas refinarias. O aumento nas bombas é pura ganância.”
O petroleiro lembra que as privatizações do governo Bolsonaro agravaram a situação. “Refinarias como a Refinaria Baiana (RLAM), vendida à Acelen, e a Refinaria de Manaus, vendida à Atem, operam com lógica privada. Além disso, a privatização da BR Distribuidora e da Liquigás tirou do Estado brasileiro o poder de ajudar no controle dos preços.”
Ele cita exemplos regionais: “Em Pernambuco, a Refinaria Abreu e Lima é da Petrobras, não aumentou nada, e o diesel já chegou a R$ 7. As distribuidoras estão ganhando dinheiro em cima da gente.” A FUP denunciou a tentativa de importadoras de condicionar o abastecimento a aumentos da Petrobras. “É uma chantagem. Muitas delas traziam diesel da Rússia a preço baixíssimo, por conta das sanções, e ganhavam rios de dinheiro. Agora vêm com essa ameaça.”
Bacelar avalia positivamente as medidas anunciadas pelo governo Lula. “O presidente acerta ao promover fiscalização ampla para coibir oportunistas que querem lucrar com a guerra que mata gente no Irã. A isenção do PIS/Cofins, o imposto de exportação de petróleo para segurar o produto aqui e os incentivos para refino no Brasil são ações emergenciais importantes.”
No entanto, ele defende que o Estado precisa ir além. “Se essas redes de postos fizerem chantagem, deveríamos avançar na encampação dessas redes, para que a Petrobras volte a atuar na distribuição e comercialização. A privatização da BR Distribuidora e da Liquigás foi um erro. Hoje, a Petrobras não pode nem usar sua marca nessa área por contratos draconianos.”
Bacelar cobra atuação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “Cadê o Cade nesse momento? Deveria atuar de forma veemente contra essa chantagem, que coloca em risco o abastecimento em regiões importantes como Norte e Nordeste, reféns de monopólios privados.”
“Quer ver se as distribuidoras vão fazer alguma coisa? Não vão. Coragem eles não têm. Mas a FUP já se posicionou contra esse posicionamento esdrúxulo. O que precisa é de pressão social e de um Congresso mais amigo do povo — o atual é inimigo”, conclui.
Para ouvir e assistir
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