Resumo objetivo:
Um bombardeio israelense atingiu o campus da Universidade Libanesa em Hadath, matando dois professores. Autoridades libanesas, incluindo o presidente e o primeiro-ministro, condenaram veementemente o ataque, classificando-o como um crime de guerra e uma violação flagrante do direito internacional por atingir uma instituição de ensino. O secretário-geral da ONU, António Guterres, aproveitou uma visita ao Líbano para renovar apelos por um cessar-fogo imediato entre Israel e o Hezbollah.
Principais tópicos abordados:
1. O ataque aéreo israelense contra uma universidade e a morte de dois acadêmicos.
2. A condenação unânime das autoridades libanesas, que enquadraram o ato como um crime de guerra.
3. Os apelos internacionais, em especial da ONU, por um cessar-fogo no conflito entre Israel e Hezbollah.
4. O contexto de escalada militar e ameaças na fronteira.
'Ataque à memória das nações': bombardeio israelense a universidade libanesa mata dois professores
Presidente do Líbano classificou ação como 'crime condenável por todos padrões', enquanto Ministério da Educação denunciou 'tentativa de extinguir a luz do conhecimento'
O presidente Joseph Aoun condenou o ataque israelense à Universidade Libanesa que resultou no martírio de dois membros de sua equipe, considerando-o um crime condenável por todos os padrões e uma violação flagrante das leis e normas internacionais.
Aoun também telefonou ao reitor da universidade, Bassam Badran, e ofereceu suas condolências pelo martírio do diretor da Faculdade de Ciências, Dr. Hussein Bazzi, e do Dr. Murtada Srour, no bombardeio israelense que atingiu o campus universitário em Hadath na tarde desta quinta-feira (12/03).
O presidente condenou o ataque: “esta grande instituição nacional de ensino que reúne a juventude do Líbano de todas as suas origens e a qualifica para contribuir para a construção do Líbano de amanhã com que sonham”.
Em sua declaração, considerou que o ocorrido é “um crime condenável por todos os padrões e uma flagrante violação das leis e normas internacionais que proíbem ataques a instituições de ensino e civis, e representa um novo capítulo na perseguição de civis, seja em suas aldeias e cidades, em seus locais de trabalho ou de estudo”.
O primeiro-ministro Nawaf Salam também entrou em contato com o reitor da universidade para apresentar suas condolências. O premiê igualmente condenou o ataque, classificando-o como “uma violação flagrante das leis e normas internacionais que proíbem ataques a instituições de ensino e civis”.
Além disso, o Ministério da Educação e do Ensino Superior e a Universidade Libanesa lamentaram a morte dos dois mártires e consideraram que atacar instituições educacionais e universitárias “é um ataque flagrante à mensagem da ciência, à mente e à memória coletiva das nações, e uma tentativa de extinguir a luz do conhecimento que as universidades levam à sociedade”.
Em uma declaração conjunta, o ministério e a universidade consideraram este ataque como “um crime de guerra completo, uma vez que o direito internacional humanitário estipula claramente a proteção de instituições educacionais e culturais e criminaliza ataques contra elas em quaisquer circunstâncias”.
A declaração apelou aos organismos internacionais e da ONU para que “assumam as suas responsabilidades e tomem medidas urgentes para proteger as instituições de ensino, preservar a santidade do campus universitário e manter a educação afastada do círculo de violência”.
Nesse cenário, o secretário-geral da ONU, António Guterres, se pronunciou novamente pedindo a Israel e ao Hezbollah que “parem com a guerra” no início de uma visita a Beirute.
“Meu forte apelo a essas partes, ao Hezbollah e a Israel, é por um cessar-fogo para pôr fim à guerra e… permitir que o Líbano se torne um país independente… onde suas autoridades tenham o monopólio do uso da força”, disse Guterres em inglês do palácio presidencial, enquanto o Líbano entrava em seu 11º dia de guerra.
الرئيس جوزاف عون خلال استقباله الأمين العام للأمم المتحدة أنطونيو غوتيريش:
– يجب وقف الاعتداءات الاسرائيلية وتحقيق وقف إطلاق النار للبحث في الخطوات التالية وفق المبادرة التي أطلقتها.
– للاهتمام بشؤون النازحين الذين قارب عددهم اكثر من ٨٠٠ الف نسمة، ونقدّر وقوف الأمم المتحدة إلى… pic.twitter.com/H7zfQkh0rS— Lebanese Presidency (@LBpresidency) March 13, 2026
Ameaças e escalada militar israelense
Diante das constantes agressões sionistas no Líbano — que envolvem desde lançamento de drones, uso do agrotóxico glifosato na fronteira — substância que pode causar câncer na população libanesa — e expulsão forçada dos civis de seu território —, o ministro da Defesa de Tel Aviv, Israel Katz, fez uma nova ameaça ao Líbano nesta sexta-feira (13/03). Segundo ele, o exército israelense atacou durante a noite uma ponte sobre o rio Litani que, de acordo com Tel Aviv, seria usada pelo Hezbollah para transferir munições.
A ponte atingida também é uma importante via de transporte para civis, incluindo aqueles que tentam fugir para o norte devido aos bombardeios israelenses. Muitos libaneses temem que outras instalações críticas, incluindo o aeroporto internacional de Beirute, também possam ser atingidas pelo conflito.
O Centro de Operações de Emergência do Ministério da Saúde Pública do Líbano anunciou nesta sexta-feira (13/03), em comunicado, que um bombardeio aéreo israelense contra a área de Fawar, em Sidon, resultou, segundo um balanço inicial, na morte de oito civis e em nove feridos. Em paralelo, um cidadão também foi martirizado na cidade de Yater, localizada no sul do país. Outros dois ataques aéreos israelenses atingiram as cidades de Qantara e Qabrikha, também no sul.
Nesta sexta-feira (13/03), a fumaça ainda saía de um prédio atingido por Israel na manhã anterior no bairro de Bachoura, no centro de Beirute. O bombardeio estourou as janelas e paredes dos primeiros andares e provocou o desabamento da garagem subterrânea do edifício. Pedaços de concreto cobertos de cinzas estão espalhados pelas ruas ao redor do prédio e um cheiro acre paira no ar. Alguns moradores que evacuaram o local antes dos ataques estão vivendo em barracas em um gramado próximo a um parque.