Resumo objetivo:
A campanha militar dos EUA contra o Irã está consumindo rapidamente estoques estratégicos de armamentos, como os mísseis Tomahawk, cujo uso intenso pode afetar as reservas por anos. Os custos da operação já ultrapassam US$ 11 bilhões em seis dias, com sistemas de defesa antimísseis sendo extremamente dispendiosos em comparação com os drones iranianos de baixo custo. Diante disso, o Pentágono planeja solicitar um aumento de até US$ 50 bilhões no orçamento militar ao Congresso, onde há resistência a aprovar recursos sem justificativas detalhadas.
Principais tópicos abordados:
1. Esgotamento acelerado dos estoques de armamentos dos EUA (especialmente mísseis Tomahawk).
2. Custos elevados da operação militar e disparidade de preço entre sistemas defensivos caros e drones iranianos baratos.
3. Intenção do Pentágono de pedir ampliação do orçamento militar e a cautela do Congresso em autorizar os recursos.
Governo Trump consome anos de armamentos estocados em guerra no Irã
Segundo Financial Times, escalada dos ataques compromete reservas militares; custo do enclave escala e Pentágono irá pedir ampliação do orçamento militar
A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã tem consumido rapidamente parte significativa do arsenal norte-americano estocado pelo Departamento de Defesa, afirma reportagem do Financial Times, publicada nesta quinta-feira (12/03).
Fontes afirmaram ao jornal que a administração Trump já usou anos de estoques de munições críticas nas primeiras fases da campanha militar, iniciada em 28 de fevereiro; e que o ritmo intenso dos ataques, especialmente utilizando mísseis de longo alcance, pode levar a um desgaste expressivo das reservas militares.
Entre os armamentos mais utilizados estão os mísseis Tomahawk, um dos principais sistemas de ataque de precisão da Marinha dos Estados Unidos. O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) estima que foram disparados cerca de 168 desses mísseis nas primeiras 100 horas de ataques contra o território iraniano.
Nos últimos cinco anos, as Forças Armadas norte-americanas compraram apenas 322 Tomahawks, incluindo 57 reservados para o ano fiscal de 2026. Fontes militares ouvidas pelo FT estimam que o uso maciço de Tomahawk poderá impactar os estoques da Marinha por vários anos.
Fabricado pela empresa de armamentos RTX, cada Tomahawk, um míssil de cruzeiro subsônico com ogiva de aproximadamente 454 quilos, custa cerca de US$ 3,6 milhões por unidade.
Custos escalam
O custo da operação militar também escala rapidamente. Segundo dados apresentados pelo Departamento de Defesa ao Congresso, os primeiros seis dias da guerra já consumiram mais de US$ 11 bilhões, grande parte destinada à reposição de munições e uso de sistemas de defesa aérea avançados.
O senador democrata e veterano da Força Aérea, Mark Kelly, destacou o alto custo dos sistemas utilizados. “Os projéteis que estamos disparando — Patriot, THAAD — custam milhões de dólares cada”, afirmou ao MS Now, acrescentando que os drones Shahed, usados pelo Irã, custam cerca de US$ 30 mil. “Os cálculos não fecham”, disse.
O embaixador dos Estados Unidos na OTAN, Matthew Whitaker, por sua vez, mencionou os elevados custos do sistema antimísseis Patriot. “Cada disparo custa US$4 milhões”, disse, ao ponderar que a eficácia do sistema é de 96% a 98%, “mas é excessivamente caro, especialmente comparado com drones [iranianos] muito baratos de fabricar”. Ele afirmou que os Estados Unidos estão testando novas tecnologias em “laboratórios de campo” para aprimorar a defesa contra drones iranianos.
Pedido por recursos
O custo crescente da campanha militar é visto com preocupação neste ano de eleições parlamentares, as chamadas midterms, nas quais a desaprovação à guerra pode comprometer a maioria que os republicanos e o presidente norte-americano, Donald Trump, detêm em ambas Casas Legislativas.
O Pentágono deverá solicitar ao Congresso, nos próximos dias, um aumento de até US$ 50 bilhões no orçamento militar para sustentar a operação “Fúria Épica” conjunta entre Estados Unidos e Israel.
A senadora republicana Lisa Murkowski já afirmou que o Capitólio não irá conceder um “cheque em branco” ao governo sem explicações detalhadas.