O artigo apresenta a visão de que o Brasil é um "suave fracasso", descartando a possibilidade de se tornar uma potência de elite global, mas também de colapsar como Estado falido. O autor argumenta que o país perdeu a oportunidade histórica de dar um salto desenvolvimentista, em parte devido ao envelhecimento populacional antes da riqueza necessária. No entanto, ele aponta que melhorias na qualidade de vida são possíveis através da adoção de avanços tecnológicos globais e do aprimoramento de áreas críticas nacionais, como educação e infraestrutura.
Principais tópicos abordados:
1. A avaliação do Brasil como um "suave fracasso" e a perda da oportunidade de se juntar ao grupo das nações mais desenvolvidas.
2. A perspectiva de melhorias graduais na qualidade de vida via progresso tecnológico global e avanços domésticos setoriais.
3. A defesa de uma postura realista e estoica, focando em melhorias possíveis dentro das limitações impostas.
Já me conformei a ver o Brasil como um suave fracasso (a ótima expressão é do embaixador Rubens Ricupero). O adjetivo "suave" é importante. à pouco provável que o paÃs se torne um Estado falido, a exemplo de Sudão, Haiti ou mesmo da Venezuela, mas também me parece difÃcil que venhamos a dar o tão almejado salto para o grupo de nações mais desenvolvidas. Esse é um bonde que já perdemos. Se tivéssemos tomado decisões melhores algumas décadas atrás, talvez tivéssemos conseguido, mas, agora, a demografia passa a jogar contra. Envelhecemos antes de enriquecer.
Calma, daà não se segue que você precise imitar Stefan Zweig. Embora tenha ficado difÃcil acreditar no Brasil como "paÃs do futuro", nós ainda deveremos experimentar melhorias na qualidade de vida. Avanços tecnológicos desenvolvidos mundo afora continuarão a ocorrer, se é que não se multiplicarão. Muitos deles geram produtos que ampliam bem-estar, saúde, educação, segurança. Como sempre lembro aqui, o habitante médio do planeta hoje tem acesso a muito mais confortos, prosperidade e informação do que um rei europeu da Idade Média.
Mesmo no que depende só de nós, dá para melhorar. Talvez não o bastante para entrarmos para a elite global dos paÃses, mas o suficiente para reduzir algumas das asperezas que empatam nossas vidas. A educação brasileira, por exemplo, ainda é muito ruim, mas já não faltam vagas para crianças e adolescentes dispostos a estudar.
Nossa infraestrutura ainda deixa muito a desejar, mas uma linha telefônica não é mais um artigo de luxo que pessoas deixam como herança para seus filhos. Em algumas poucas áreas, até conseguimos competir em condições de igualdade com os melhores do mundo. Penso aqui em Embraer e nos setores não arcaicos do agronegócio.
O estoicismo ensina que devemos nos contentar com aquilo que a realidade nos impõe. Isso não significa aceitar tudo passivamente, mas centrar nossos esforços só naquilo que está em nosso alcance modificar. Vamos tentar tirar o melhor de nosso fracasso.