Resumo objetivo:
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, confirmou o início de negociações discretas com os Estados Unidos para resolver diferenças bilaterais, em meio a uma grave crise energética agravada pelo bloqueio norte-americano, que impediu a entrada de combustível no país nos últimos três meses. Paralelamente, Díaz-Canel denunciou uma infiltração armada de origem norte-americana frustrada em fevereiro, classificando-a como uma ação terrorista.
Principais tópicos abordados:
1. Relações bilaterais EUA-Cuba: Início de negociações discretas para resolver conflitos e explorar cooperação.
2. Crise energética: Bloqueio norte-americano causando escassez severa de combustível em Cuba.
3. Incidente de segurança: Denúncia de uma infiltração armada com suposto financiamento dos EUA, qualificada como terrorista.
Cuba confirma início de negociações com EUA em meio ao bloqueio energético
Miguel Díaz-Canel afirmou que nenhum combustível entrou na ilha nos últimos três meses ao defender diálogo como forma de resolver diferenças bilaterais
Em meio ao agravamento da crise energética decorrente do bloqueio norte-americano, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou nesta sexta-feira (13/03) ter iniciado negociações com o governo dos Estados Unidos visando resolver as diferenças bilaterais e estabelecer possíveis áreas de cooperação no âmbito regional.
“Recentemente as autoridades cubanas conversaram com representantes do governo dos Estados Unidos para buscar uma possível solução para as diferenças bilaterais por meio do diálogo”, disse o mandatário em coletiva. “Esses são processos feitos com grande discrição. São processos longos que devem ser iniciados primeiro estabelecendo contatos”.
A abertura do processo de diálogos foi aprovada em reunião do gabinete político, da Secretaria e do Comitê Executivo do Conselho de Ministros, onde avaliaram a situação das relações bilaterais.
“Já se passaram mais de três meses desde que qualquer navio de combustível entrou em nosso país e estamos trabalhando em condições muito adversas que têm um impacto imensurável na vida de todo o nosso povo”, alertou.
Em 29 de janeiro, o presidente norte-americano Donald Trump assinou uma ordem executiva declarando “estado de emergência nacional” em resposta a uma suposta “ameaça incomum e extraordinária” vinda da ilha que, segundo Washington, prejudicava a segurança dos Estados Unidos. Com isso, a Casa Branca determinou tarifas adicionais para os países que fornecessem petróleo para Cuba, agravando a situação humanitária do país.
Segundo Díaz-Canel, o objetivo das negociações é identificar os problemas que afetam a relação entre os dois países, encontrar soluções concretas e determinar a real disposição das partes em avançar em ações que beneficiem seus respectivos povos. O processo também inclui avaliar mecanismos amplos de cooperação para garantir a segurança e a paz na América Latina e no Caribe.
Díaz-Canel lembrou que não é a primeira vez que Havana abre canais de diálogo com Washington, citando a ocasião em que o ex-presidente cubano Raúl Castro conversou com o então homólogo norte-americano Barack Obama, em 2015. Ainda de acordo com o mandatário, as negociações estão sendo conduzidas com base princípios da igualdade, respeito aos sistemas políticos, soberania e autodeterminação.
Infiltração armada financiada pelos EUA
O presidente cubano também revelou detalhes sobre a lancha de registro norte-americano que estava navegando de forma ilegal em águas territoriais da ilha e foi frustrada pela Guarda Costeira nacional, em 25 de fevereiro. Cuba afirmou que se tratava de uma infiltração armada com “fins terroristas”.
“Eles vieram fortemente armados com fuzis de assalto, explosivos e equipamentos militares completos”, disse Díaz-Canel, desmentindo a versão difundida por setores da direita cubana no exílio, que sustentava que os infiltrados buscavam reunir famílias. Segundo o mandatário, não havia espaço físico para nenhum possível membro da família no barco e suas intenções, na realidade, eram atacar unidades militares e centros sociais para semear caos no país.
Nas investigações, todos os capturados reconheceram sua participação e confirmaram que atiraram primeiro contra a embarcação da guarda de fronteira. Além disso, forneceram nomes de recrutadores, locais de treinamento, fontes de financiamento e propósitos específicos da operação, detalhes que Havana divulgará conforme avanço nas investigações.
(*) Com Telesur