O presidente Lula proibiu a entrada no Brasil de Darren Beattie, conselheiro de Donald Trump, em retaliação ao cancelamento do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pelo governo americano. O Itamaraty justificou a revogação do visto de Beattie por omissão e falseamento de informações sobre o real motivo de sua visita, que incluía encontros políticos com a família Bolsonaro. Paralelamente, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, já havia proibido a visita de Beattie ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com base no risco de ingerência em assuntos internos.
Principais tópicos abordados:
1. Retaliação diplomática entre Brasil e EUA envolvendo vistos.
2. Justificativas oficiais baseadas em suposta má-fé e falsidade documental.
3. Preocupação com interferência política externa e articulações com a oposição.
4. Envolvimento do Poder Judiciário (STF) para coibir o encontro.
O presidente Lula disse nesta sexta-feira (13) que proibiu a entrada no paÃs de Darren Beattie, conselheiro do presidente americano Donald Trump. Segundo ele, a decisão é uma resposta ao cancelamento do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
"Aquele cara americano (Darren Beattie) que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar [Bolsonaro] e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado", disse Lula durante a reinauguração do setor de trauma do Hospital Federal do AndaraÃ.
Os vistos de Padilha e sua famÃlia foram cancelados pelo governo Trump em agosto do ano passado. Na época, a revogação também atingiu outras autoridades brasileiras e ex-funcionários da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) que atuaram na contratação de médicos cubanos no programa Mais Médicos.
"Não, você sabe que bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele de 10 anos. Então, Padilha, esteja certo que você está sendo protegido", disse Lula.
Procurado, o Itamaraty confirmou o cancelamento do visto de Beattie. Segundo a pasta, a revogação ocorreu por "omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita".
Beattie havia solicitado o visto na semana passada usando como justificativa sua participação no fórum de minerais crÃticos da Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), a ser realizado em São Paulo.
No entanto, a agenda do conselheiro americano trazia previsões de encontro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e uma possÃvel visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na cadeia. Auxiliares do Planalto avaliam que houve má fé na conduta de Beattie no fornecimento das informações, o que acarretou na revogação.
"Trata-se de princÃpio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional", afirmou o Itamaraty.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), já havia proibido nesta quinta-feira (12) a visita de Beattie ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada após manifestação do ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores), indicando que o encontro poderia configurar "indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro".
Vieira afirmou que as autoridades americanas tinham requisitado duas reuniões no Ministério das Relações Exteriores, mas que elas foram pedidas apenas na quarta (11). Nenhum dos encontros, prosseguiu Vieira, está confirmado pelo Itamaraty.
Darren Beattie é crÃtico do governo Lula e de Moraes. Ele já chamou o ministro do STF de "principal arquiteto do complexo de censura e perseguição" contra Bolsonaro. Além disso, recebeu agradecimentos do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) após as sanções da Lei Magnitsky impostas ao ministro.
O conselheiro de Trump tem agenda prevista em São Paulo e em BrasÃlia para entender o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro, segundo apurou a Folha, e iria se encontrar com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Beattie também iria tratar de decisões judiciais que determinaram o bloqueio de perfis em redes sociais no âmbito dos inquéritos sobre "fake news" e milÃcias digitais, que tramitam no Supremo sob a relatoria de Moraes.