A Justiça de São Paulo autorizou a recuperação extrajudicial da Raízen, que poderá renegociar R$ 65 bilhões em dívidas, tornando-se o maior caso do tipo na história do Brasil. A empresa, joint venture da Cosan e Shell, terá 180 dias para apresentar seu plano de reestruturação aos credores, que incluem grandes bancos como Bradesco, Santander e BNP Paribas. A Raízen atribuiu sua crise financeira às altas taxas de juros no Brasil, à situação econômica da Argentina e aos elevados investimentos em projetos como o etanol de segunda geração.
Principais tópicos abordados:
1. Concessão da recuperação extrajudicial e o montante da dívida a ser renegociada.
2. Prazos e procedimentos do processo de recuperação.
3. Principais bancos credores e seus valores expostos.
4. Fatores que levaram a empresa à crise financeira.
A Justiça de São Paulo deferiu o pedido de recuperação extrajudicial da RaÃzen, gigante na produção de açúcar e álcool e na distribuição de combustÃveis. A companhia, uma joint venture de Cosan e Shell, agora tem autorização para elaborar um plano de renegociação de R$ 65 bilhões em dÃvidas com bancos e investidores.
O pedido foi analisado e aceito pelo juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo. O plano de renegociação das dÃvidas da companhia deve ser apresentado em até 180 dias corridos, segundo a decisão do magistrado.
Após a apresentação do plano, os credores da RaÃzen terão até 30 dias para contestar ou impugnar a proposta da empresa. Nesse perÃodo de negociação, os pagamentos de dÃvidas abrangidos pela recuperação ficam suspensos.
Bradesco, Santander e BNP Paribas estão entre os maiores credores da RaÃzen. Documentos divulgados pela companhia mostraram que o francês BNP tem a receber R$ 4,2 bilhões, uma fração significativa do passivo.
Os bancos Bradesco, Santander, Rabobank e Sumitomo Mitsui têm cerca de R$ 2 bilhões cada um a receber, enquanto o Itaú Unibanco tem exposição de mais de R$ 1 bilhão à empresa.
Com o pedido protocolado na última terça-feira (10), a RaÃzen passou a ocupar o posto de maior recuperação extrajudicial da história do Brasil, superando o pedido do Grupo InterCement, com um endividamento estimado em R$ 21,9 bilhões, em valores da época.
Maior produtora de cana-de-açúcar do mundo e a segunda maior distribuidora de combustÃveis do paÃs, a RaÃzen culpou as elevadas taxas de juros no Brasil e a situação econômica da Argentina pela crise financeira que a levou a buscar a renegociação de suas dÃvidas.
Mas o volume de investimentos para desenvolver o etanol de segunda geração e os aportes na rede varejista Oxxo, em parceria com a mexicana Femsa, também foram fatores importantes para a crise vivida pela empresa.