Resumo objetivo:
A minoria cristã no Irã, estimada em cerca de 800 mil pessoas, enfrenta severa perseguição por parte do governo, que vê o movimento evangélico como uma ameaça ocidental. As igrejas domésticas são alvo de invasões, prisões, interrogatórios e pressão para delatar outros fiéis, condições que forçam muitos convertidos a deixar o país. Diante das restrições, os cristãos adotam estratégias discretas, como reuniões secretas e ministérios online, para praticar sua fé e oferecer apoio, mesmo com a comunicação dificultada por apagões de internet.
Principais tópicos abordados:
1. Perseguição religiosa e repressão estatal contra cristãos, especialmente convertidos do islamismo.
2. Estratégias de resistência e sobrevivência da comunidade cristã (igrejas domésticas, cautela extrema, plataformas online).
3. Impacto do contexto sociopolítico (protestos, crise econômica, apagões de internet) na vida dos cristãos.
4. Ações de apoio e evangelização discreta, como assistência humanitária durante protestos, como forma de demonstrar fé.
Estima-se que dos 93 milhões de iranianos, apenas 800 mil sejam cristãos. Apesar de o cristianismo ser uma minoria religiosa no Irã, o governo do paÃs considera o movimento evangélico uma ameaça ocidental à segurança nacional, informa a organização cristã Portas Abertas.
"Igrejas domésticas são frequentemente invadidas, o que resulta muitas vezes em prisões, interrogatórios e pressão para delatar outros cristãos. As condições nas prisões são precárias, e o valor das fianças é altÃssimo, causando o endividamento de famÃlias cristãs", afirma a organização.
As restrições severas a cristãos de origem muçulmana obrigam muitos a deixar o paÃs. Foi o caso de Bahar Rad e sua famÃlia. Seu pai foi preso por causa de sua fé âele ficou um ano na cadeia.
Por motivo de segurança, Bahar mantém em sigilo seu nome verdadeiro e o local onde vive. Ela é porta-voz da Portas Abertas sobre o Irã, e se dedica a apoiar a igreja iraniana, especialmente os que vivem a fé em segredo.
Ela diz que hoje muitos cristãos continuam se reunindo em casa, mas com cautela redobrada. "Nas cidades onde ocorreram bombardeios e explosões, as pessoas foram aconselhadas a permanecer em suas casas. Muitas reuniões foram temporariamente suspensas por motivos de segurança", conta.
Ela explica que há cristãos isolados, que não têm uma comunidade local. Para esses, as plataformas online são a única maneira de participar de reuniões de oração, estudos bÃblicos ou mesmo receber encorajamento.
De origem muçulmana, Somayeha também precisou fugir do Irã por causa das ameaças sofridas após sua conversão. Somayeha também atua em um ministério online.
Ela também atua em um ministério online. No entanto, desde janeiro, quando diversos protestos contra a crise econômica e contra o regime ocorreram no paÃs, a internet local tem sofrido apagões, dificultando a comunicação entre os irmãos.
Na lista mundial, o paÃs ocupa o 10º lugar entre os que mais perseguem cristãos.
Se o evangelismo aberto não é permitido no paÃs persa, os cristãos usam estratégias delicadas para alcançar o coração das pessoas.
"Uma mulher abriu sua casa para ajudar pessoas durante os protestos [do inÃcio do ano]. Ela acolheu um pequeno grupo em seu quintal enquanto dois médicos (que fazem parte da igreja doméstica) ajudavam pessoas que haviam sido feridas pela dura repressão", conta Bahar Rad.
"A igreja continua a demonstrar silenciosamente o amor de Cristo. Em muitos casos, são esses simples atos de amor que fazem com que as pessoas encontrem o Evangelho de uma forma muito real e pessoal".
Sobre a guerra, Bahar diz viver sentimentos conflitantes. "à uma tristeza profunda ver mÃsseis e bombardeios que levam as pessoas do meu paÃs a perderem entes queridos, casas e pertences. Apesar disso, ver estruturas e indivÃduos que há muito oprimem o povo e perseguem as minorias sendo confrontados nos traz uma sensação de esperança", diz Bahar.