Resumo objetivo:
Os Estados Unidos fizeram ao Brasil dois pedidos formais como parte das negociações bilaterais: a implementação de um plano para erradicar facções criminosas como PCC e Comando Vermelho, e a aceitação de estrangeiros presos nos EUA em prisões federais brasileiras. Fontes indicam que o governo brasileiro deve rejeitar a proposta de receber presos estrangeiros. O atendimento a essas demandas é considerado crucial para a confirmação de uma reunião presencial entre os presidentes Lula e Trump.
Principais tópicos abordados:
1. As demandas dos EUA por um plano de combate ao crime organizado e pela transferência de presos estrangeiros.
2. As negociações bilaterais em meio a tensões comerciais e a condição para um encontro presidencial.
3. A provável rejeição do Brasil à proposta de receber presos e o contexto de contradições na política externa norte-americana.
EUA exigem plano do Brasil para acabar com PCC e Comando Vermelho
Washington pede que Brasília aceite receber em prisões federais a estrangeiros capturados no país norte-americano; fontes indicam que Planalto deve rejeitar essa proposta
O governo dos Estados Unidos teria feito ao Brasil um pedido formal para que as autoridades brasileiras coloquem em prática um plano para a erradicação de organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, além de supostas células do Hezbollah e de organizações criminosas chinesas que atuariam no país sul-americano.
Segundo o jornal Folha de São Paulo, a partir de uma declaração de um alto funcionário do governo norte-americano, o pedido seria uma contra proposta norte-americana a um plano apresentado pelo Brasil no final de 2025 para o combate às facções criminosas que operam no país.
Brasil e Estados Unidos vêm realizando negociações desde o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em outubro de 2025, na Malásia, como forma de diminuir as tensões surgidas a partir do tarifaço de 50% aos produtos brasileiros imposto pelo mandatário estadunidense três meses antes, em julho do mesmo ano.
Desde então, a parte norte-americana tem enfatizado, ao menos no discurso, que as medidas de combate ao crime organizado e a grupos ligados ao tráfico de drogas internacional são uma das suas prioridades para que as negociações entre os países avancem.
A postura se contradiz a medidas tomadas por Washington a respeito de outros países – como a libertação do ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández (2014-2022), condenado pela Justiça norte-americana por sua ligação com cartéis narcotraficantes.
Também segundo a Folha, o governo de Donald Trump pede que o Brasil compartilhe com os Estados Unidos diversas informações relativas a estrangeiros que pedem refúgio ou que já são residentes em território brasileiro – incluindo dados biométricos dessas pessoas.
Estrangeiros em prisões brasileiras
Também nesta semana, o Brasil recebeu uma proposta do governo dos Estados Unidos pra que o país aceite receber em prisões federais a estrangeiros presos no país norte-americano, acusado de formarem parte de quadrilhas ligadas ao narcotráfico internacional.
A iniciativa também seria parte da negociação entre dois países para a cooperação no combate a organizações criminosas transnacionais.
Caso o pedido seja aceito, as penitenciárias brasileiras passariam a funcionar de forma similar às prisões de El Salvador, modelo questionado por entidades internacionais de defesa dos direitos humanos.
Até o momento, o governo brasileiro não se pronunciou sobre se aceitará esta segunda demanda feita por Washington.
Fontes ouvidas pelo G1, no entanto, afirmam que o Palácio do Planalto irá rechaçar a proposta.
A resolução dos dois pedidos feitos pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil é considerada fator crucial para a confirmação do encontro presencial entre Lula e Trump na Casa Branca, eventou que chegou a ser anunciado meses atrás e que inicialmente estava previsto para acontecer em março, mas que agora se espera para o mês de abril.
Com informações de Folha de São Paulo e G1.