Resumo objetivo:
As autoridades israelenses estão obrigando famílias palestinas em Jerusalém Oriental a demolir suas próprias casas sob alegação de falta de licenças de construção, impondo multas elevadas em caso de descumprimento. Enquanto isso, assentamentos israelenses na mesma região se expandem com facilidade de licenciamento, evidenciando uma disparidade de tratamento. Organizações de direitos humanos denunciam que as políticas israelenses tornam quase impossível para palestinos obterem as licenças necessárias.
Principais tópicos abordados:
1. Autodemolições forçadas: Famílias palestinas são coagidas a demolir suas próprias casas para evitar custos maiores.
2. Disparidade de políticas: Contraste entre a restrição de licenças para palestinos e a facilitação para assentamentos israelenses.
3. Contexto de expansão de assentamentos: Crescimento de colonatos ilegais em Jerusalém Oriental e Cisjordânia ocupada.
4. Impacto humanitário: Aumento de notificações de demolição, deslocamento de civis e multas onerosas sobre as famílias afetadas.
Israel obriga famílias palestinas a demolirem casas próprias em Jerusalém Oriental
Autoridade Palestina denuncia aumento de 40% nas intimações desde início do genocídio em 2023, assentamentos ilegais israelenses se expandem com licenças facilitadas
As forças de ocupação israelenses continuam suas agressões aos palestinos. Além das violências físicas, bloqueios de vias e imposição de checkpoints, agora as famílias estão sendo obrigadas pelas autoridades de Israel a demolir suas próprias casas.
A “autodestruição” assombra os palestinos que vivem em Jerusalém Oriental, região controlada por Israel desde 1967 e ilegalmente unida a Jerusalém Ocidental sob uma administração israelense.
Um exemplo é o casal Basema Dabash e Raed, que desde 2014 são ameaçados pela ordem de demolição da sua casa em Sur Baher, no sul da Jerusalém Oriental ocupada. Na mesma época, a família recorreu ao tribunal israelense para suspender a intimação. Entretanto, em janeiro deste ano, chegou o aviso de despejo. Em 12 de fevereiro, a família foi obrigada a demolir sua casa. Caso contrário, teriam que pagar à prefeitura para realizar a demolição.
“Fomos obrigados a começar a demolir a casa nós mesmos para evitar as taxas de demolição da prefeitura, que podem chegar a 100.000 shekels [R$ 167.988,60]”, disse Basema, de 51 anos, à emissora catari Al Jazeera. “Começamos demolindo o interior da casa e enviamos fotos para a prefeitura para confirmar que tínhamos iniciado a demolição, mas eles exigiram que a demolíssemos pelo lado de fora o mais rápido possível.”
Apesar de terem demolido a casa, a família ainda precisa pagar uma multa de 45.000 shekels (R$ 75.594,87), que continuará sendo paga em parcelas até 2029.
A família Dabash tentou obter licença de construção para a casa diversas vezes, mas seus pedidos foram rejeitados por Israel. Apesar disso, a prefeitura multa palestinos e demole suas casas sob o pretexto de falta de licenças.
Enquanto os assentamentos israelenses ilegais se expandem em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia ocupada com facilidade para obter licenças, os palestinos denunciam a evidente disparidade de tratamento.
A Human Rights Watch constatou que as autoridades israelenses tornam “praticamente impossível para os palestinos obterem licenças de construção”, e a organização israelense de direitos humanos B’Tselem afirmou que as políticas de planejamento em Jerusalém Oriental tornam “muito difícil para os moradores obterem licenças de construção”.
Marouf al-Rifai, porta-voz da Governadoria de Jerusalém da Autoridade Palestina, disse à Al Jazeera que 15 autodemolições foram realizadas em fevereiro passado, cinco em janeiro e 104 em dezembro.
As Nações Unidas relataram que as demolições em 2025 deslocaram 1.500 palestinos. O funcionário da Autoridade Palestina acrescentou que as notificações de demolição de casas palestinas em Jerusalém aumentaram de 25.000 antes da guerra para 35.000. Somente a cidade de Silwan recebeu 7.000 notificações de demolição desde 1967.