Principais pontos da notícia:
Em 2026, o Brasil registrou 28 mortes por dengue, com os estados do Pará, Tocantins e Minas Gerais concentrando a maioria dos óbitos. Apesar do avanço, o ritmo atual de mortes é significativamente menor que nos anos anteriores (2024 e 2025), fato atribuído à maior imunidade da população após surtos anteriores e às condições climáticas mais estáveis. Contudo, o número de óbitos tende a subir nas próximas atualizações devido a dezenas de casos ainda em investigação, principalmente em São Paulo e Goiás.
Principais tópicos abordados:
1. Número atual de mortes e distribuição por estados.
2. Comparação e queda nas taxas de mortalidade em relação aos anos anteriores.
3. Fatores explicativos para a redução (imunidade populacional e clima).
4. Alertas sobre investigações pendentes que podem aumentar o balanço.
5. Contexto epidemiológico recente (dados de 2024 e 2025).
A dengue provocou a morte de 28 pessoas no Brasil em 2026, segundo o Painel de Monitoramento das Arboviroses, do Ministério da Saúde, atualizado na terça-feira (10). O número era de 18 óbitos na atualização anterior, de 27 de fevereiro.
O avanço é puxado pelo Pará, com 7 óbitos, seguido por Tocantins (5) e Minas Gerais (4). São Paulo e Goiás têm 3 mortes cada um; Maranhão e Mato Grosso, 2, enquanto Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte contabilizam 1 registro cada um.
Embora tenham avançado nos últimos dias, as mortes neste inÃcio de 2026 têm ritmo mais lento do que nos dois anos anteriores. A média para o perÃodo é de 3 mortes por semana epidemiológica, muito abaixo de 2025, quando 35 pessoas morreram por semana por complicações da doença. Diferença ainda maior para 2024, que terminou com 121 óbitos semanais.
Segundo o pesquisador Leonardo Bastos, coordenador do Infodengue, painel da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) que monitora a endemia pelo paÃs, a queda se explica pelos altos Ãndices dos anos anteriores.
"Tem circulado pelo Brasil os sorotipos 1 e 2 da dengue nos últimos três anos e, como os anos anteriores amargaram altos números, sobretudo 2024, aumentou a resistência de boa parte da população à infecção", afirma.
Ele diz ainda que a condição climática atual é mais favorável à estabilidade, com temperaturas mais próximas do normal e sem fenômenos externos como o El Ninõ de 2024, que contribuiu para Ãndices maiores. O El Niño é marcado por um aquecimento acima da média no oceano PacÃfico, perto da linha do Equador.
O número de óbitos, contudo, tende a crescer na próxima atualização devido à investigação de mortes possivelmente ligadas à dengue. Nesta seara, São Paulo lidera com 51 investigações, seguido por Goiás, que tem 30, e Maranhão, com 9 apurações. Até agora, o paÃs tem 53 mil testes positivos.
O Brasil encerrou 2025 com 1.821 pessoas mortas pela infecção causada pelo Aedes aegypti. Mais de 1,4 milhão de pessoas tiveram a doença.
Trata-se de redução significativa após a crise epidemiológica de 2024, pior ano da série histórica, que teve quase 6 milhões de infecções e 6.300 mortes.
Ainda que os maiores registros ocorram entre março e abril, se a média persistir, o paÃs encerrará 2026 com mortes em queda novamente.
A arbovirose transmitida pelo Aedes aegypti possui quatro sorotipos. Quando um indivÃduo é infectado por um deles adquire imunidade contra aquele vÃrus, mas ainda fica suscetÃvel aos demais.
Quem apresentar febre alta (38°C a 40°C) de inÃcio repentino e pelo menos duas manifestações âdor de cabeça, prostração, dores musculares e/ou articulares e dor atrás dos olhosâ deve procurar uma unidade de saúde.
Passada a fase crÃtica, a maioria se recupera. Em alguns casos, a doença pode progredir para formas graves e óbito.