Resumo objetivo:
Foi inaugurada a Cozinha Comunitária Solidária Marilene Dantas de Melo em João Pessoa, com o objetivo de ampliar o acesso à alimentação saudável e combater a fome. A iniciativa é resultado de uma parceria entre movimentos sociais, o Governo da Paraíba e entidades civis, funcionando como um espaço tanto para distribuição de refeições quanto para formação política sobre direitos sociais e soberania alimentar.
Principais tópicos abordados:
1. Inauguração e objetivos: Lançamento da cozinha comunitária para combater a fome e promover alimentação saudável.
2. Parcerias e homenagem: Colaboração entre movimento social, governo estadual e entidades civis; a cozinha homenageia a militante Marilene Dantas de Melo.
3. Estratégia e alcance: O projeto vai além da distribuição de comida, incluindo atividades formativas e estímulo à organização comunitária.
4. Contexto nacional: A ação se insere em uma rede de solidariedade do MST e no cenário de insegurança alimentar no Brasil.
O Armazém do Campo de João Pessoa realiza nesta sexta-feira (14) às 10 horas, a inauguração da Cozinha Comunitária Solidária Marilene Dantas de Melo. Segundo Max castelo, coordenador do espaço, a iniciativa busca ampliar o acesso à alimentação saudável e fortalecer ações de combate à fome na capital paraibana. O espaço funcionará no próprio Armazém do Campo e foi estruturado a partir de uma articulação entre o movimento social, o Governo da Paraíba e entidades da sociedade civil.
Max Castelo destaca que a cozinha comunitária surge a partir de um diálogo institucional com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano. A ação conta ainda com cooperação técnica do Centro de Formação Elizabeth e João Pedro Teixeira e do Instituto Ideias. A proposta combina a distribuição de alimentos com atividades formativas voltadas à promoção da alimentação saudável e ao debate sobre direitos sociais.
A cozinha leva o nome de Marilene Dantas de Melo, lembrada por integrantes do movimento como uma referência em práticas populares de saúde e alimentação. A homenagem, segundo os organizadores, busca preservar a memória de militantes que atuaram na defesa da saúde comunitária e da soberania alimentar.
Cozinha solidária como estratégia de combate à fome
A iniciativa pretende ir além da preparação de refeições. Segundo Max, o espaço também deve funcionar como um local de formação política e de reflexão sobre alimentação e saúde nas comunidades populares.
A escolha do nome da cozinha também reflete o legado de atuação de Marilene Dantas de Melo nas práticas populares de cuidado e saúde.
“A cozinha solidária também é uma forma de defender a saúde das populações vulneráveis. Marilene sempre esteve envolvida com práticas populares de cura e com a luta pela alimentação. Ela dizia que muitos problemas de saúde das comunidades estavam ligados diretamente à alimentação, seja pela falta de comida ou pela ausência de alimentos saudáveis”, afirmou.
Segundo o coordenador, a proposta também busca estimular a organização comunitária em torno do direito à alimentação. “Esse espaço pretende provocar reflexão sobre saúde, alimentação e combate à fome. A cozinha solidária pode despertar nas pessoas a consciência sobre o direito à alimentação e sobre a necessidade de lutar por políticas públicas que garantam esse direito”.
Rede de solidariedade e agricultura familiar
Segundo informações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o Armazém do Campo integra uma rede nacional de espaços voltados à comercialização de produtos da reforma agrária e da agricultura familiar. De acordo com o movimento, esses locais também têm sido utilizados para ações solidárias de combate à fome, especialmente após a pandemia de Covid-19.
Dados divulgados pelo MST indicam que, entre 2020 e 2023, assentamentos e cooperativas ligadas ao movimento teriam doado mais de 7 mil toneladas de alimentos em todo o país, distribuídas para comunidades urbanas vulneráveis, cozinhas solidárias e organizações populares. As informações estão disponíveis no portal oficial do movimento.
Segundo o MST, a produção de alimentos em assentamentos da reforma agrária envolve cerca de 450 mil famílias em todo o país, com forte presença na produção de arroz, feijão, hortaliças, leite e frutas destinadas tanto ao mercado quanto a programas de abastecimento alimentar.
Contexto da fome no Brasil e na Paraíba
O debate sobre iniciativas de combate à fome ocorre em um contexto de persistência da insegurança alimentar no Brasil. Dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional apontam que cerca de 33 milhões de brasileiros enfrentavam situação de fome em 2022, segundo o II Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Brasil. O levantamento indicou ainda que mais da metade da população do país vivia com algum grau de insegurança alimentar naquele período.
No recorte estadual, levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que a Paraíba também enfrenta desafios relacionados ao acesso à alimentação. Em 2024, cerca de 32,4% dos domicílios paraibanos, o equivalente a aproximadamente 481 mil lares, viviam algum grau de insegurança alimentar, apesar de uma redução em relação ao ano anterior.
Dados divulgados pelo IBGE, no módulo de Segurança Alimentar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, apontam que o estado registrou diminuição de aproximadamente 53 mil domicílios nessa condição, o que representa uma queda de cerca de 9,9% no indicador. Segundo o instituto, o levantamento integra um sistema nacional de monitoramento das condições de acesso da população brasileira à alimentação e permite acompanhar a evolução da segurança alimentar nos estados ao longo do tempo.
Castelo enfatiza que, no contexto da Paraíba, a iniciativa se apresenta como um instrumento de transformação social, voltado não apenas ao enfrentamento da fome, mas também à promoção do debate sobre alimentação e saúde nas comunidades populares.
“A importância dessa cozinha é que ela não será apenas um lugar para produzir comida. Ela será um instrumento de transformação social, um espaço de debate sobre alimentação saudável e sobre alternativas populares de alimentação. Queremos resgatar práticas que Marilene defendia durante a vida, como o aproveitamento dos alimentos e a ressignificação daquilo que chega às cozinhas da classe trabalhadora”.