Entre sirenes e explosões: moradores de Teerã relatam rotina sob bombardeios israelenses
Capital iraniana e outras cidades do país são atacadas quase que diariamente e contabiliza mais de 1.200 mortes
O jornalista Amin Sabouri mora no centro de Teerã e da sua casa houve os aviões e bombardeios constantes. Até o momento, a capital do Irã tem sido o epicentro das operações militares dos Estados Unidos e de Israel. “Quem mora na região leste e oeste, onde há bases militares, ouve ainda mais bombardeios. Porém, pouco a pouco as pessoas de alguma maneira vão se acostumando com esses sons”.
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O jovem de 25 anos conta que Teerã está sempre cheia, mas que, desde que a última guerra começou, no fim de fevereiro, notou que a cidade começou a ficar mais vazia. “Muita gente já abandonou a capital. No primeiro dia do conflito o governo pediu que as pessoas deixassem a cidade e procurassem outros lugares mais seguros”, disse.
Teerã tem sido atacada quase que diariamente pelos Estados Unidos e Israel. A Opera Mundi, Sabouri afirmou que, por conta disso, os moradores sofrem ainda mais já que o sistema de alerta sofreu com os impactos dos bombardeios.
Os ataques incessantes dos Estados Unidos e Israel atingiram depósitos de combustíveis na capital iraniana e grandes quantidades de fumaça e gases foram lançados na atmosfera. De uma hora para outra o dia virou noite, o céu de Teerã ficou completamente escuro e a poluição tomou conta de boa parte da cidade.
Ali Reza Khosravi, outro jornalista local, conta que foi um momento assustador. “A gente mal conseguia ver os carros, ruas, árvores, estava tudo coberto de óleo. Durante a chuva ácida, muita gente teve que usar máscaras. Foi realmente um desastre ambiental”, disse o iraniano de 29 anos.
Cotidiano
O jornalista Sabouri disse que atualmente escolas e universidades em Teerã estão fechadas e que algumas lojas, mercados e bancos também. “Em uma época normal, os mercados estariam lotados porque estamos perto do Ano Novo persa, mas agora esses espaços estão quase vazios e fechados”.
Quanto aos alimentos, não há escassez por enquanto, mas houve um aumento nos preços. “Se a guerra continuar a situação deve ficar ainda pior. Estamos esperando por mais sanções e, se isso acontecer, a economia do país vai enfraquecer e os preços podem subir mais”.
Fim do conflito
Desde o dia 28 de fevereiro, pelo menos 1.200 pessoas morreram no país persa pelos ataques norte-americanos e israelenses, de acordo com a ONG Human Rights Activists no Irã (HRAI).
O novo líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, prometeu manter os ataques e vingar “o sangue dos mártires”. Através de um comunicado, filho de Ali Khamenei recomendou que os países da região fechem todas as bases militares norte-americanas.
Sabouri acredita que o novo líder do país vai seguir a mesma linha política do pai, que governou o Irã por quase 37 anos. “Eu acho que mesmo que a atual situação de guerra no Irã o leve a tomar outras decisões, a essência política de Mojtaba vai continuar sendo a mesma de seu antecessor!.
Já Khosravi compreende que os iranianos vão continuar resistindo porque, para ele, é necessário assegurar a independência do Irã e da região. “Nós queremos que os norte-americanos saiam. Nós não os queremos aqui porque no futuro eles sempre podem começar um novo conflito. Não queremos ver soldados dos Estados Unidos em nossa região de novo”.