à cedo para estimar o impacto econômico da guerra que EUA e Israel movem contra o Irã. Mas, se o conflito se prolongar, pode produzir um movimento de alta global de preços, semelhante aos que vimos no pós-pandemia e na invasão da Ucrânia, com consequências eleitorais em várias partes do planeta, inclusive o Brasil.
Não falta petróleo no mundo. E o próprio mundo depende muito menos de petróleo do que já dependeu. Não estamos mais nos anos 1970. Mas daà não decorre que não existam gargalos. Passam pelo estreito de Hormuz, ora fechado, cerca de 20% da produção global de óleo. A dificuldade logÃstica impacta nos preços da commodity. E combustÃveis são um item fundamental da economia. Se o diesel sobe, até os preços de alfaces produzidas localmente vão aumentar para o consumidor final.
Não foi só a matriz energética que passou por mudanças. A polÃtica também. Até alguns anos atrás cientistas polÃticos eram unânimes em afirmar que candidatos incumbentes, isto é, que disputam a reeleição, levavam uma enorme vantagem sobre seus rivais. Eles triunfavam em algo como 80% das corridas. Mas o quadro pode estar mudando. Em vários pleitos mais recentes, o postulante ou partido situacionista perdeu ou viu sua bancada se reduzir. Inflação e custo de vida são apontados como causas importantes dessa reviravolta. Um caso notável de derrota para os preços foi justamente o de Biden/Harris, no pleito que deu a Trump seu segundo mandato.
O Brasil não está alheio a isso. A onda de impopularidade que Lula amargou nos primeiros meses do ano passado foi em larga medida determinada pelos preços de alimentos, que se encontravam num nÃvel bastante alto. Foi Trump que permitiu ao petista recuperar o favoritismo (até as pesquisas do mês passado), ao tomar medidas que derrubaram o valor do dólar, aliviando a carestia por aqui. Será irônico se a guerra de Trump, que visava a gerar-lhe dividendos polÃticos, acabar se tornando o motivo de uma derrota dos republicanos nas eleições legislativas de novembro.